O alerta é da psicóloga Rukeia Calú, que apela a uma acção urgente baseada nos princípios de empatia do Isslam para travar o avanço de lares disfuncionais e psicologicamente adoecidos na comunidade.
De acordo com a especialista, o estigma e o preconceito social continuam a ser as principais amarras que impedem as mulheres de denunciar os abusos e procurar apoio especializado. Esta postura de isolamento reflecte-se directamente no organismo e na mente das vítimas através de crises de ansiedade, depressão e distúrbios mentais.
“É muito importante nós estarmos a dar as mãos para as outras mulheres muçulmanas, nós encaminharmos que procurem ajuda”, sublinhou Rukeia Calú, advertindo que a ausência de tratamento especializado afecta não só a vítima, mas todo o ambiente que a rodeia.
Um dos pontos apontados pela psicóloga prende-se com a tendência da comunidade em inverter a culpa e estigmatizar a vítima, sobretudo quando o agressor ostenta uma imagem pública positiva ou de liderança.
“Devido a toda esta pressão social que esta mulher carrega pela sociedade e pela família de pessoas muito próximas, ela acaba se retraindo, porque não quer estragar a imagem que as pessoas carregam do seu parceiro (…) e prefere ficar neste sofrimento para zelar por esta imagem, que dentro de casa é uma imagem completamente errada”, denunciou.
Rukeia Calú explicou que a violência psicológica, os gritos e as ofensas constantes afectam a capacidade de monitorização parental e alteram o comportamento dos filhos, que tendem a normalizar e replicar a agressividade no meio escolar.
Como caminho para romper este ciclo de violência, Rukeia Calú defende a activação imediata das redes de apoio de base, compostas por familiares, amigos e pelas próprias lideranças comunitárias, e lembra que a conduta agressiva viola frontalmente os pilares morais do Isslam.
Para a psicóloga, a comunidade deve usar a sua base religiosa e educativa como uma ferramenta de acolhimento e protecção, rejeitando a banalização do sofrimento feminino.
“Nós como muçulmanos temos muita base de ter esta conduta mais positiva, de nós tratarmos bem a todos, independentemente do género. Um dos princípios religiosos do nosso querido profeta (SAW) é a questão que ele disse: o melhor dentre vós é aquele que trata bem as vossas mulheres”, concluiu.

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