Valy, membro da organização Red Open, destacou a urgência de trabalhar com homens e rapazes muçulmanos na desconstrução da “masculinidades tóxicas” para travar os crimes contra as mulheres.

Para ilustrar a gravidade, o activista partilhou dados sobre a violência dos últimos anos. “Em 2023 tivemos 91 casos em que as mulheres foram mortas, em 2024, 139. Os dados nos últimos tempos têm indicado que a violência baseada no género no país é assustadora, tem de subir, tomar outra forma”, alertou.

Segundo Valy, um dos grandes entraves para o combate a VBG reside na quebra de denúncias formais, motivada pela desconfiança institucional e por pressões familiares para preservar o casamento.

Aliado a isso, ele apontou que a dependência económica e o medo de retaliação agravam o silêncio das vítimas.

“Às vezes a família acaba entrando no sentido de desencorajá-la. Há uma ideia de que o casamento deve ser preservado a todo o custo. Às vezes a pessoa vai denunciar a primeira vez e quando volta a violência agrava e ela decide não voltar mais”, detalhou o activista.

Alinhado com os princípios de justiça promovidos pela religião islâmica, Valy concluiu exortando a comunidade, em particular os homens, a assumirem uma postura activa e firme contra o abuso doméstico.

“Nós, enquanto muçulmanos, também vivemos com isso. E é preciso encontrar formas de juntarmos os esforços que ocorrem em toda a sociedade para acabarmos com a violência baseada no género”, sublinhou.

O activista concluiu apelando aos homens muçulmanos para não assistirem, em silêncio, outros homens a violentarem as suas parceiras. “É o nosso dever e obrigação também aparecermos a intervir”, finalizou.