Durante a sua intervenção, o líder religioso sublinhou que não se pode combater um problema sem antes compreender a sua origem, apontando a educação e o resgate histórico da dignidade feminina como os primeiros pilares de prevenção.

“Não se deve combater uma coisa se não conhecemos a sua origem. Daí que, do nosso lado, como religiosos, temos feito todo o esforço de ensinar as pessoas, tanto elucidar sobre a sua religião”, explicou.

Como modelo de conduta, o Sheikh apontou a figura do Profeta Muhammad (SAW), destacando que “não se relata sequer uma ocasião em que ele, por exemplo, colocou a mão sobre a mulher no sentido de agredir.”

Segundo o orador, desde os seus primórdios, o Isslam veio devolver à mulher a dignidade que lhe havia sido roubada ao longo dos tempos, valorizando-a através de ensinamentos e Hadiths que “recomendam aos homens a educar tanto as meninas até a altura em que elas se tornam mulheres de verdade”.

O teólogo enfatizou que a primeira ordem divina recebida pelo Profeta (SAW) foi estudar, reforçando que o conhecimento é a arma primordial contra a agressividade.

Ao abordar a violência no ambiente conjugal, o Sheikh Umar Aiuba desmistificou conceitos sobre os deveres familiares, esclarecendo que, segundo os peritos e teólogos muçulmanos, “o que o homem tem a mais em relação à mulher é a paciência”.

O orador reconheceu que, por serem seres sociais e emocionais, os indivíduos têm uma inclinação natural para reagir com agressividade quando se sentem feridos. Contudo, o Sheikh reiterou que o autocontrolo, o mútuo respeito e a humildade também se aprendem e devem ser cultivados.

A terminar a sua intervenção, o Sheikh Umar Aiuba deixou um apelo directo à comunidade muçulmana em Moçambique, instando os crentes a passarem do conhecimento teórico à prática quotidiana para se tornarem exemplos positivos na sociedade.

“Nós muçulmanos precisamos de uma única coisa, implementar os ensinamentos da nossa religião, só isso. O que eu acho que está a faltar aqui é os que sabem implementar aquilo que sabem, os que não sabem, aprender aquilo que não sabem”, concluiu o teólogo.