O Maulana iniciou a sua explicação detalhando a ligação sagrada da Kaaba com o divino, afirmando que este lugar é o epicentro da atenção espiritual no mundo. “Embaixo do trono de Allah está o Baitul Mamur. E embaixo do Baitul Mamur, aqui na terra, está a Kaaba”, explicou, sublinhando que, ao circular o monumento, o crente está em sintonia com a luz divina.
“Nós, quando vamos para a Kaaba, sentimos espiritualmente que estamos mais próximos de Allah. Da maneira que o nosso corpo tem uma sombra no sol, a sombra do Nur (luz) de Allah é a Kaaba”, afirmou, reforçando que a paz sentida ao observar o santuário é algo que “não cansa a pessoa”, tal como olhar para o céu ou para os próprios pais.
Sobre o ritual das sete voltas (Tawaf), o líder usou uma analogia prática para explicar o seu efeito purificador. “Você quando tem uma roupa suja, o que faz? Mete na máquina de lavar… ela começa a redondar a roupa até que a máquina sozinha para e a roupa já está limpa. Da mesma maneira, você faz o Tawaf e, quando acabar, você já está puro de pecados”, explicou.
Esta pureza é reforçada pelo simbolismo da Kiswah, o pano preto que cobre a Kaaba. “Allah escolheu a cor preta porque ela consegue absorver todas as cores e não fica com marca de nenhuma. O pano da Kaaba tem um poder tão excepcional que consegue absorver todos os pecados nossos quando pedimos perdão”, destacou o Maulana.
A intervenção também tocou na importância da intenção e do desapego. Maulna Nazir Loonat lembrou que o Hajj é uma convocação espiritual e não uma questão financeira.
“Allah só chama para sua casa a quem Allah quer. Não é dinheiro que faz com que Allah chame. Pode ter dinheiro, mas se Allah não quer, você não vai”, alertou, citando casos de pessoas que, mesmo com passaporte e bilhete na mão, viram a sua viagem impedida por não ser o seu momento.
Para o Maulana, a preparação deve ser interna. “Você tem de se preparar espiritualmente. Eu quero mudar a minha vida, quero ser diferente, quero me aproximar de Allah”, orientou.
Durante a estadia no Monte Arafat, o ponto mais alto do Hajj, o Maulana incentivou os fiéis a não terem receio de mostrar a sua vulnerabilidade.
“Allah gosta muito das nossas lágrimas. Quando nós choramos, Allah fica contente. As nossas lágrimas são mercadoria importada por Allah”, disse, explicando que o choro sincero de arrependimento tem o poder de “apagar o fogo de Jahannam (inferno) para a pessoa”. Ele comparou a misericórdia divina à compaixão de uma mãe que, ao ver o filho chorar, o abraça com amor. “Se Allah colocou compaixão no coração das mães, imagine quanto misericordioso Ele não é”. Sublinhou.
Em termos práticos, o líder moçambicano deixou recomendações sobre a vida nos acampamentos em Mina e as longas caminhadas, muitas vezes sob calor extremo. Recomendou o uso de sombrinhas, a deslocação em grupos e o foco total na oração (Du’a), que descreveu como “uma conversa exclusiva com Allah”.
Ao concluir, o Maulana sublinhou que o objectivo final é a transformação. “Se você quiser mudar a sua vida para sempre, então vai fazer Hajj. Quem faz para agradar a Allah volta como se estivesse a sair da barriga da sua mãe”, finalizou, exortando os peregrinos a realizarem cada acto com gosto e consciência.

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