Na entrevista, o Sheikh focou-se no conforto espiritual e nas instruções para a maioria da comunidade que permanecerá em solo nacional. Segundo ele, embora o sentimento seja de nostalgia para quem intencionou e não conseguiu peregrinar, a misericórdia divina oferece caminhos para obtenção de recompensas equivalentes.

“Allah, sendo o Misericordioso, sempre que abre uma porta para uns e existem lá condições que nem todos têm, acaba abrindo uma outra porta para os menos favorecidos”, explicou.

Para os fiéis que ficam, a recomendação é de aproveitar a primeira dezena do mês de Dhul-Hijjah, um período que o Sheikh descreve como superior a qualquer outro do ano.

“Os sábios dizem que na última dezena do Ramadhan as noites são as melhores do ano. Ao passo que, quando se trata de Dhul-Hijjah, os dias são os melhores do ano”, afirmou, instando os moçambicanos a adoptarem uma postura de maior devoção através do jejum, do Sualat e da caridade.

Citando ensinamentos proféticos, o Sheikh reforçou a grandeza das boas acções praticadas nestes dias.

“Não existem dias em que as boas acções praticadas são mais queridas perante Allah do que aquelas acções que são praticadas nesta dezena”, sublinhou. Para o líder religioso, esta é uma oportunidade para quem não viajou equiparar-se em recompensa aos que estão na Casa de Allah.

Mudança de rotina e orientações aos peregrinos

O Sheikh Mubin Hajat, que residiu na cidade sagrada de Madina por nove anos, lamentou que este período passe, por vezes, de forma indiferente em Moçambique. Ele exortou as famílias a criarem uma atmosfera festiva e piedosa.

“Eu notei que, quando este período chegava, o movimento era diferente. No Masjid Mashallah, o Iftar era servido, as pessoas trocavam presentes… quer dizer, como se o Ramadhan tivesse entrado”, recordou, apelando para que se faça sentir o valor destes dias na rotina doméstica.

Quanto à comitiva que embarca, o Sheikh deixou alertas sobre a natureza da viagem, distanciando-a de qualquer conceito de lazer.

“Não se trata de turismo, nem passeio. Existem lá dificuldades, existem lá obstáculos. Mas tudo aquilo é adoração”, advertiu. Para ele, a aceitação das longas filas e do calor intenso deve ser vista como uma forma de adoração, onde o peregrino deve “pacientar e tomar como uma oportunidade de ganhar recompensas”.

Por fim, o Sheikh lamentou a falta de preparação e a desobediência aos líderes de grupo como os maiores riscos ao sucesso da jornada. Ademais, comparou o peregrino que não se prepara a “aquele que entra numa piscina ou no oceano e não sabe nadar”.

A mensagem final é de união espiritual entre os que partem e os que ficam, garantindo que a dignidade do povo moçambicano seja preservada através do comportamento exemplar e da sinceridade da fé.