O Maulana alertou que o modelo de relacionamento ocidental, baseado em encontros informais e isolamento, abre portas ao adultério e ao vazio espiritual, apelando às famílias para que facilitem os casamentos precoces e simplifiquem as exigências financeiras como forma de combater a tentação e garantir a estabilidade social e religiosa das comunidades.
Segundo o entrevistado muitas vezes, a juventude olha para as regras religiosas como “portas fechadas”, por isso o Maulana começa por desfazer este mito. Segundo ele o Isslam não é contra o amor ou o sentimento entre duas pessoas, mas sim contra o contexto em que esse amor é vivido. Para ele, a ordem dos factores altera completamente o resultado do relacionamento.
“As pessoas perguntam-me, Sheikh, não é proibido namorar? Eu disse sim, não é proibido namorar, mas namorar no lugar certo. Hoje o problema é que a gente quer namorar antes de casar. Não, nós devemos namorar depois de casar. O nosso namoro tem que ser depois de casar,” afirma o Maulana.
De acordo com o Maulana o Isslam não quer impedir que as pessoas se gostem, mas quer impedir o haram, o que é proibido, antes que ele aconteça e traga arrependimentos.
A explicação religiosa para evitar o namoro moderno é baseada na prevenção. O Maulana recorda que o Alcorão utiliza uma linguagem muito específica, não diz apenas “não faça”, mas diz “não se aproxime”.
“Quando a pessoa vai querer namorar vai começar com mensagens bonitas, vai começar com encontros, vai começar a ficar sozinha um com o outro, vai começar com assuntos íntimos. Isto vai levar ao zina, o adultério”, explica.
Ele aponta que o isolamento de um casal jovem cria um ambiente onde as emoções e os desejos podem falar mais alto que a razão, levando a consequências que o Isslam tenta evitar a todo custo para proteger a dignidade de ambos.
Alerta para promessas vazias e riscos à honra feminina
Durante a entrevista o teólogo tocou na vulnerabilidade, especialmente da mulher, dentro de um relacionamento sem compromisso oficial. Ele alerta que, sem a seriedade do casamento, as palavras perdem o valor e os interesses tornam-se passageiros.
“Durante o namoro alguém é capaz de prometer até a lua. Porquê? Porque ele tem um interesse. Quando acaba o interesse acaba também a promessa. Esse que é o problema. E o Isslam protege a honra da mulher,” sublinha.
Ele aponta problemas graves da nossa sociedade, como gravidezes indesejadas onde os homens, após tirarem proveito, abandonam a mulher e o futuro dela, chegando ao ponto de sugerirem o aborto, ao qual os jovens hoje chamam de “fazer download”.
Para o Maulana, o casamento é o que impede que a dignidade seja tratada como algo descartável.
Para além das consequências sociais, o namoro informal traz o que o Maulana chama de “perigos espirituais”. Quando um jovem entra num processo de pecado, a sua ligação com o Criador começa a enfraquecer. O pecado, de tanto ser repetido, deixa de ser visto como tal.
“A conexão com Allah acaba. A pessoa distancia-se de Allah. A pessoa começa a achar que aquele pecado ou aquela acção não é pecado. Ele começa a achar aquilo como se fosse algo normal. Ele vai começar a tirar a bênção da sua vida”, alerta.
O grande perigo, segundo o líder, é a pessoa perder a sensibilidade espiritual e achar que pode viver uma vida plena longe das leis divinas.
Teólogo apela aos pais que priorizem o carácter em vez da riqueza
Questionado sobre se o namoro é proibido, como é que um jovem escolhe com quem casar, o maulana esclarece que o Isslam não obriga ninguém a casar com um desconhecido. O conhecimento mútuo é necessário, mas deve ser feito com “a intenção correta”.
“O que deve-se fazer, primeiro, é ter a intenção correta. Querer conhecer essa pessoa com a intenção de casar. Não para ‘vamos namorar e ver no que dá’. A segunda coisa é envolver membros da família,” orienta.
Ele explica que o casal pode conversar, desde que seja em locais públicos ou na presença de um familiar próximo, focando-se em questões reais de compatibilidade.
“Podem ver um ao outro, procurar saber o que um gosta do outro e conversas com limites. O que você gosta, o que não gosta, quais são os seus planos, para ver se há compatibilidade”, explicou.
Relativamente ao facto de muitos jovens hoje adiarem o casamento porque sentem que ainda não têm condições financeiras, casas ou carros. O Maulana Nazim Yunus esclareceu que o casamento não deve ser visto como um peso financeiro, mas como um caminho para a bênção.
“Cada pessoa, quando se encontrava no ventre da sua mãe, os anjos vieram e decretaram o sustento da pessoa. Eu ao me casar com ela, estou a juntar o meu sustento com o dela. Será duplo sustento. Allah dá o total apoio especial para quem casa para se proteger do pecado,” afirmou.
Ele aproveitou a ocasião para fazer um apelo aos pais para que não dificultem o casamento dos filhos exigindo riquezas, “O pai devia perguntar qual é o carácter da pessoa. Casar é motivo de baraka. Baraka é você ter o suficiente que seja algo para ti e para a sua esposa”, sublinhou.
Mesmo entre os casados, o Maulana nota um aumento de divórcios, dentre as causas para que isso aconteça aponta expectativas irreais, falta de amizade e o excesso de tecnologia. Para ele, muitos entram no casamento esperando uma paixão eterna de filme, sem estarem prontos para o esforço real.
“Casamento, marido ou mulher, antes de haver uma relação de esposo ou esposa, deve haver relação de amigo ou amiga. Se não houver essa relação de amizade, um vai procurar amigo fora”, alerta.

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