O aumento dos preços do combustível de aviação, somado à desvalorização das moedas locais e aos novos prémios de seguro contra riscos de guerra, já faz com que o custo operacional do Hajj este ano seja estimado em 25% acima dos níveis anteriores.

Na Indonésia, país com a maior população muçulmana do globo, a pressão é evidente. O presidente Prabowo Subianto anunciou medidas para tentar blindar os fiéis, prometendo reduções nas taxas oficiais, mesmo diante de um cenário onde o custo total por pessoa gira em torno de 100 milhões de rupias.

A companhia aérea nacional, Garuda Indonesia, relatou que a alta do combustível de aviação elevou as passagens em quase 8 milhões de rupias por peregrino, levando a empresa a solicitar subsídios governamentais adicionais.

Estima-se que, se as rotas precisarem ser alteradas para evitar espaços aéreos em conflito, os custos operacionais podem saltar até 51%, colocando em risco a viabilidade económica de pacotes que já possuem filas de espera de décadas.

Apesar da turbulência, governos e operadoras de turismo da região, como os da Malásia e de Cingapura, mantêm os planos de viagem, reforçando que a fé tem superado o medo entre os peregrinos.

O impacto a longo prazo, entretanto, preocupa especialistas do setor. Mesmo com acordos de cessar-fogo frágeis entre as potências regionais, a incerteza permanece como um factor de risco constante.

Projecções indicam que, caso o preço do petróleo se mantenha acima de 100 dólares por barril, os pacotes de Umrah e Hajj devem sofrer reajustes anuais graduais, o que pode causar uma queda de até 27% nas viagens internacionais provenientes do Oriente Médio até 2026.

Para o sector de turismo religioso, avaliado em centenas de milhões de dólares, o desafio será adaptar-se a uma nova realidade onde a logística da fé está intrinsecamente ligada à volatilidade do mercado energético e à estabilidade das fronteiras aéreas.