Enquanto o processo avança hoje para a região Centro do país, os relatos colhidos nas províncias de Cabo Delgado, Nampula e Niassa desenham um cenário de preocupação com a dignidade humana e a sobrevivência dos produtores rurais.

O debate centrou-se na vulnerabilidade das mulheres nos centros de reassentamento, com denúncias graves sobre a gestão da assistência humanitária.

Segundo os participantes, a falta de transparência tem permitido práticas abusivas em que bens essenciais são condicionados a favores indevidos. Um dos intervenientes sublinhou a urgência de uma intervenção moral, afirmando categoricamente que “temos de encarar este problema com seriedade; a dignidade da mulher não pode ser moeda de troca para o acesso à ajuda humanitária”.

Como solução para travar este cenário, a comunidade defendeu a inclusão directa de mulheres na gestão da logística de apoio, sustentando que “quando as próprias mulheres fazem parte do processo de gestão, há mais transparência e menos espaço para abusos”.

Para reforçar esta vigilância, foi proposta a criação de comités independentes integrando líderes religiosos e canais de denúncia que garantam o sigilo e a segurança das vítimas.

Paralelamente, as inquietações focaram-se no isolamento económico causado pela degradação das vias de acesso. Os agricultores locais, que constituem a base produtiva da região, enfrentam dificuldades extremas para escoar os seus produtos para os mercados urbanos, resultando em perdas significativas de rendimento e desperdício de alimentos.

“As nossas irmãs e irmãos trabalham na machamba, produzem com muito esforço, mas muitas vezes não conseguem levar os seus produtos até à cidade por causa das vias de acesso; isso faz com que parte do trabalho se perca”, lamentou um dos presentes na auscultação.

A comunidade muçulmana reiterou que o incentivo à produção deve ser acompanhado por investimentos reais em infra-estruturas, sob pena de condenar as famílias rurais à pobreza e as cidades à carência.

Um dos oradores destacou que “o incentivo à produção deve andar lado a lado com a reabilitação das estradas, caso contrário, continuaremos a produzir para o desperdício, enquanto os nossos irmãos na cidade pagam caro por comida que temos em abundância no campo”.

No encerramento da etapa Norte, as lideranças recordaram que valores como a solidariedade e o respeito pelo trabalho são pilares da fé islâmica e devem ser tratados como prioridades de segurança nacional.

“Esperamos que estas palavras não fiquem no papel e que a reabilitação das vias e a protecção das nossas mulheres sejam tratadas como prioridades”, concluiu um representante, lançando o mote para as discussões que agora se iniciam na região Centro.