A Directora do Gabinete Feminino do CISLAMO, Mualimah Muna Cassamo, explicou que a acção faz parte de uma estratégia de proximidade sempre que a liderança se desloca às províncias.
“Não podemos sair de uma comunidade sem falar com as senhoras”, afirmou a responsável, sublinhando que o propósito é “chamar as senhoras para aprender mais sobre o Isslam, aprender mais sobre o dia-a-dia da mulher muçulmana” e partilhar conhecimentos com a comunidade local.
No plano doutrinário, os encontros vão focar-se na oração e na súplica. Segundo Mualimah Nabila Sau, coordenadora de Dawah e representante da Madrassa Daarul Hadith, o objectivo é fazer com que as crentes “se agarrem ainda mais” a estas práticas.
Paralelamente, os eventos trarão a debate a situação do povo palestino, uma escolha justificada pela Mualimah Nabila perante a centralidade daquela região para o Isslam.
“A Palestina não é uma terra qualquer, é uma obrigação para todos nós. É necessário que cada um de nós tenha noção do que está acontecer na Palestina e qual é a importância que ela tem para nós”, frisou.
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Equilíbrio entre o ensino académico e religioso domina prioridades do GF-CISLAMO e Daarul Hadith
O reforço da formação surge numa altura em que o Gabinete Feminino do CISLAMO, criado em dezembro de 2025, procura equilibrar o investimento feito pelas mulheres no ensino académico secular com o ensino religioso.
Mualimah Muna Cassamo notou que, nos últimos dez anos, se registou um aumento visível no uso do hijab e no interesse das mulheres pela fé, incluindo profissionais licenciadas e doutoras.
“Ficou-se um vazio durante muito tempo, em que se dava mais valor ao ensino académico secular do que ao ensino religioso. Então muitas mulheres doutoras já querem equilibrar os dois conhecimentos”, referiu a directora.
Para responder a esta procura, a Madrassa Daarul Hadith tem implementado programas de bolsas de estudo, abrangendo tanto mulheres nascidas no Isslam como revertidas, além de promover cursos de formação de professoras e palestras alargadas ao espaço da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
Encerrando a conversa, as entrevistadas apelaram as mulheres moçambicanas a assumirem um papel activo no desenvolvimento comunitário, aproveitando o quadro de liberdade religiosa que o país oferece.
“A mulher moçambicana tem muitos privilégios, que é de praticar a sua religião com muita liberdade. Nós podemos desenvolver muitas actividades para melhorar o nosso Moçambique, mas para isso nós temos que nos formar e não esperar que alguém venha fazer por nós”, concluiu Muallimah Muna, secundada pela Mualimah Nabila Sau, que relembrou que “para ir em busca do conhecimento não tem idade”.

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