Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que existam entre 4 e 5 milhões de muçulmanos em Moçambique, o que representa perto de 20% de toda a população.
Com isso ter apenas 383 estabelecimentos certificados significa que a grande maioria destas pessoas não tem acesso fácil a produtos formalmente validados pela Comissão Halál.
Além disso, quando olhamos para a economia nacional, o INE aponta que Moçambique tem mais de 91 mil empresas activas. Contudo, os negócios com o selo halál não chegam sequer a representar 0,5% desse total.
Outro ponto que chama a atenção é a divisão geográfica destes estabelecimentos. Embora a maior parte da comunidade muçulmana viva nas províncias do Norte do país, como Cabo Delgado, Nampula e Niassa, a lista oficial mostra que grande parte das empresas certificadas estão concentradas no Sul.
No documento, a Comissão Halál destaca que a lista inclui desde grandes indústrias de alimentos até pequenos negócios, mas nota-se que a esmagadora maioria das empresas certificadas localiza-se na Província de Maputo, deixando um vazio no resto do país.
Um especialista em economia ouvido pelo Espaço Islâmico explica que esta ausência no Norte e no Centro acontece porque muitos negócios locais ainda são informais.
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“A elevada taxa de informalidade no comércio nas províncias do Norte impede que milhares de pequenos negócios e matadouros locais submetam as suas actividades aos critérios formais de auditoria e certificação halál”, sublinhou a nossa fonte.
Contudo, avança que esta grande diferença entre o número de consumidores e a quantidade de lojas certificadas abre uma enorme oportunidade para os empresários moçambicanos.
É que o selo halál, além de respeitar a fé de milhões de cidadãos, funciona também como uma porta de entrada para exportar produtos.
Diante desta realidade, a fonte defende que “urgem políticas de descentralização e incentivos para que mais empresas adoptem a certificação halál”, permitindo que mais cidadãos tenham acesso a produtos adequados ao seu estilo de vida. (Ekibal Seda)

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