O Sheikh começou por esclarecer que, embora Moçambique tenha direito a uma cota teórica de 4 mil peregrinos, a organização nacional optou por um número realista e totalmente garantido.
“Como nós não atingimos a cota, nós estabelecemos o número que nós pretendemos. Nos anos passados tentávamos um acordo para 700, mas as regras mudaram”, explicou. Segundo o Sheikh, o sistema agora exige o pagamento antecipado de 100% das vagas requeridas.
Por essa razão, o país avançou com um grupo de 320 pessoas, 100 sob a responsabilidade directa do Comité e 220 através da agência de viagens Planet, a única autorizada este ano em conformidade com as novas normas sauditas de uma agência por cada 500 peregrinos.
Segurança reforçada e logística aérea blindada contra instabilidade regional
Sobre o clima de incerteza no Médio Oriente, Sheikh Amade Ussene admitiu que tem recebido manifestações de receio, mas foi categórico ao afirmar que o plano de viagem é sólido.
“Temos recebido preocupação das pessoas que estão inscritas, algumas receosas em ultimar pagamentos por causa deste conflito, mas nós temos tranquilizado os peregrinos. Tudo vai ser aquilo que Allah quiser”, afirmou.
O Sheikh destacou que a Arábia Saudita opera com um sistema de segurança “extraordinário” durante o Hajj, mobilizando forças especiais, o exército e a polícia de intervenção rápida para garantir que nada perturbe a jornada espiritual.
Relativamente aos constrangimentos aéreos causados pelo fecho temporário de espaços aéreos na região do Qatar, o Presidente do Comité trouxe garantias de protecção para os passageiros. “A Qatar Airways está com voos limitados, mas temos o compromisso já firmado e o acordo já selado. Eles deram-nos uma garantia que, caso persistir a situação, eles vão proteger os seus passageiros de qualquer via, através de um protocolo próprio da companhia”, assegurou, revelando que existe a esperança de que os voos de Maputo e Joanesburgo sejam totalmente normalizados nas próximas actualizações das autoridades de aviação civil.
Do ponto de vista administrativo, o Sheikh confirmou que o processo está “blindado”. A plataforma electrónica do Ministério do Hajj, que integra hotéis, serviços e o próprio Ministério dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita, já encerrou a inserção de nomes e a emissão de vistos, o que significa que os 320 moçambicanos já estão devidamente registados no sistema oficial saudita.
“A cota já está completa, tanto pelo Comité como pela agência. Já não temos como inserir nenhum nome; a plataforma está bloqueada”, detalhou, reforçando que o grupo seleccionado já tem o seu lugar garantido na história do Hajj deste ano.
A encerrar a entrevista, o Sheikh Amade Ussene deixou um apelo à resiliência e à preparação prática.
“O que vai acontecer é aquilo que Allah marcou. Nós temos a confiança que as coisas irão melhorar”, disse, instando os peregrinos a não negligenciarem o estudo dos rituais.
No entanto, lamentou que “muitos vão para o Hajj sem conhecimento mínimo. É preciso que a pessoa comece a aprender agora, para que não chegue lá e encontre tudo como se fosse estranho”, concluiu o Sheikh reafirmando que, para além da turbulência política internacional, a “missão nobre” do Hajj para Moçambique segue o seu curso com total segurança e apoio institucional.

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