Durante o encontro, parte dos adeptos espanhóis entoou repetidamente o cântico “quem não salta é muçulmano”, além de ter vaiado o hino nacional egípcio e os jogadores adversários que, no intervalo, fizeram a prostração (sujud) no relvado.

Yamal, que é muçulmano praticante, sentiu o impacto directo destas ofensas, apesar de as mesmas serem dirigidas ao conjunto egípcio.

“Sou muçulmano, louvado seja Deus. Ontem, ouvi cânticos no estádio dizendo: ‘Quem não pular é muçulmano’. Sei que esses cânticos eram direccionados a equipa adversária e não a mim pessoalmente, mas, como muçulmano, considero isso desrespeitoso e inaceitável”, afirmou.

A indignação do jogador subiu de tom ao dirigir-se directamente aos responsáveis pelos insultos, sublinhando que a identidade religiosa não deve ser alvo de zombaria no desporto.

“Eu sei que nem todos os torcedores são assim, mas para aqueles que entoam esses cânticos: usar a religião como forma de zombaria faz com que vocês pareçam ignorantes e racistas”, escreveu Yamal, reforçando que o propósito da modalidade é o entretenimento e a união.

As autoridades locais e as instituições desportivas já reagiram ao sucedido confirmando o início de uma investigação para identificar os autores dos cânticos, enquanto a FIFA analisa relatórios que podem resultar em sanções pesadas para a Federação Espanhola.

Berni Álvarez, ministro do Desporto da Catalunha, descreveu os eventos como “deploráveis” e um “enorme retrocesso”, criticando a passividade da organização durante a partida. Segundo o governante, a federação espanhola foi avisada ainda no intervalo para activar os protocolos de segurança, defendendo que o jogo deveria ter sido interrompido perante a persistência dos insultos.