Dirigindo-se a profissionais e gestores de meios de comunicação, a teóloga fez um apelo directo ao sector para que actue com responsabilidade ética e metodológica na divulgação de imagens, ao mesmo tempo que defendeu uma presença feminina mais activa e qualificada na liderança e produção de conteúdos.

Durante a entrevista, Apah Suleika manifestou preocupação com a forma como a captação e divulgação de imagens tem sido conduzida em eventos e programas públicos, alertando para os impactos da falta de cautela no momento do registo fotográfico.

“Vocês que tiram as fotos, tentar tomar esta cautela no momento da captura. Homens de um lado, mulheres do outro lado. Não podemos estar juntos, porque é aí onde vamos sujar a imagem do Isslam”, advertiu, sublinhando que a publicação de composições inadequadas gera interpretações erradas sobre os valores da comunidade.

A entrevistada reforçou que a conformidade ética é indispensável para a credibilidade e o propósito do trabalho comunicacional.

“Para que Allah também conceda baraka no nosso trabalho, não é possível nós tentarmos fazer um trabalho contra as regras. Podemos até fazer, mas nunca terá sucesso. O sucesso só encontra-se naquilo que é de acordo com as ordens”, pontuou.

Para além da conduta visual na imprensa, Apah Suleika defendeu a urgência de ampliar o espaço para as mulheres na mídia islâmica, sublinhando que a falta de representação feminina compromete a abordagem de matérias cruciais para a sociedade.

“Há necessidade de empoderarmos mais mulheres também da mídia islâmica (…) Se nós não falarmos as nossas necessidades, se nós não expormos o problema que nós, as mulheres, estamos a ter, quem vai expor por nós”, afirmou, sustentando que cabe às próprias mulheres expor os seus problemas e perspectivas.

Por fim, a entrevistada assinalou que o processo de integração feminina deve ser acompanhado pelo compromisso moral e pela postura profissional de quem actua no sector.

“Há necessidade também de escolher as pessoas certas para estarem nisso, porque quando nós participamos não podemos esquecer o nosso ponto islâmico em primeiro lugar, as nossas regras como muçulmanas”, concluiu.