Para a líder, o encontro marcou o início de uma “voz colectiva, corajosa e necessária” num país onde ser mulher muçulmana significa, muitas vezes, viver entre dois mundos que nem sempre se entendem.

Apa Muna destacou que a escolha pelo uso do lenço islâmico ultrapassa a estética, pois “o lenço que usamos na cabeça não cobre apenas o cabelo; ele carrega a nossa história, a nossa escolha e, infelizmente, muitas vezes carrega também o peso do preconceito”.

Ao longo da sua intervenção, a directora trouxe à reflexão os desafios quotidianos enfrentados por mulheres que usam o hijab em sectores como educação, saúde e justiça.

Ela questionou a plateia sobre as barreiras invisíveis no mercado de trabalho, perguntando “Quantas de nós já fomos olhadas com desconfiança numa entrevista de emprego por causa do lenço? Quantas jovens já ouviram que, para avançar, teriam de o tirar?”.

Segundo a apa, o grande desafio actual é provar diariamente que a modéstia não deve ser confundida com opressão e que a fé não representa um atraso, enfatizando categoricamente que “o lenço não limita o nosso cérebro”.

A directora sublinhou que a existência de médicas, professoras, juristas e empresárias que mantêm o uso do lenço é a prova viva de que a competência e a religiosidade coexistem sem conflitos.

Nesse contexto, explicou que o Gabinete Feminino do CISLAMO nasce com a missão de garantir que nenhuma mulher tenha de escolher entre a sua fé e o seu futuro profissional, trabalhando para que o respeito à diversidade religiosa deixe de ser apenas um artigo constitucional e se torne uma prática viva nas instituições. Às gerações mais novas, aconselhou-as que a “A melhor resposta ao preconceito é a excelência”.

Ao encerrar o seu pronunciamento, Apa Muna Cassamo apelou à sociedade moçambicana por uma normalização da presença da mulher muçulmana nos espaços de poder.

“O Moçambique que queremos é aquele onde uma mulher de lenço possa ser juíza, ministra, reitora, sem que isso seja notícia nas redes sociais e na comunicação social; que seja algo normal”, afirmou.