A notícia, que rapidamente se espalhou por páginas de informação e redes sociais angolanas, assinala um novo capítulo na vida do homem que é considerado um dos arquitectos da identidade nacional.

Fontes próximas e publicações de cariz religioso destacaram o momento com mensagens de fraternidade, desejando que “ALLAH fortaleça a sua fé, o firme no Isslam e na boa conduta”. Esta transição espiritual ocorre numa fase de plena maturidade do autor, que continua a ser uma voz activa e respeitada na sociedade.

Manuel Rui, nascido no Huambo em 1941, possui uma trajectória que se confunde com a própria história da independência de Angola. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi ali que consolidou o seu espírito crítico e nacionalista.

Sobre a sua ligação às artes e à luta, o autor já afirmou em diversas ocasiões que a sua escrita sempre foi um serviço ao povo. Como primeiro representante de Angola junto da ONU e antigo Ministro da Informação, o seu contributo foi muito além das letras, embora seja na poesia e na ficção que o seu legado se tornou eterno.

O escritor é o rosto de obras fundamentais como Quem Me Dera Ser Onda e Sim Camarada, sendo o primeiro autor a publicar no país após 1975. A sua relevância é tamanha que, ainda em 2024, foi inaugurado no Huambo o Centro Cultural Manuel Rui, o maior equipamento do género em Angola.

Recentemente, foi também agraciado com a Medalha Comemorativa dos 50 anos da Independência Nacional, um reconhecimento, por ser uma “voz central na consolidação da literatura e da identidade cultural angolana”.

A decisão de Manuel Rui de se converter ao Islão aos 84 anos é vista por muitos como um acto de liberdade individual coerente com a sua postura de constante busca intelectual.