Logo no início ela propôs um despojamento de preconceitos, afirmando que “independentemente da fé que professamos, há algo que nos une, a defesa da dignidade da mulher”, sublinhando que, em todas as tradições, a mulher merece ser valorizada pela sua essência e não apenas pela sua imagem.
Para a oradora, o uso do lenço surge como uma resposta à sociedade de consumo que frequentemente objetifica o corpo feminino, funcionando como uma declaração de princípios. “Não é sobre negar a beleza, é sobre dizer: a minha beleza não é pública, o meu valor não se mede em olhares”, sublinhou.
Ao abordar a realidade moçambicana, a teóloga lamentou que a sociedade ainda enfrente desafios de incompreensão e medo, rotulando muitas vezes o hijab como um símbolo de opressão, quando a doutrina islâmica o define como um instrumento de protecção.
Baseando-se em fundamentos do Sagrado Alcorão, ela explicou que o objectivo do manto é tornar evidente que aquela é uma mulher “casta, honrada, e que nenhum hipócrita pudesse molestá-la”.
Além do aspecto espiritual, ela definiu conceitos técnicos, clarificando que o hijab deve seguir regras de recato, como cobrir todo o corpo excepto mãos e rosto, ter corte largo para não desenhar os contornos do corpo e ser feito de tons discretos, reforçando que “o hijab é a sombra de Allah com a qual cobre a mulher, protegendo-a de todos os males sociais”.
Ainda durante a sua intervenção apelou directo à denúncia de casos de discriminação, especialmente em instituições públicas e de ensino.
“Nós estamos a reclamar que não nos deixam usar o hijab em instituições públicas, nas escolas e outros locais, mas não estamos a denunciar. Por que é que não estamos a denunciar? Temos medo? Temos algum receio?”, questionou frisando que sem provas e casos documentados torna-se impossível pressionar os Ministérios da Educação ou o Ministério Público para garantir o direito ao uso do lenço em documentos de identificação como o BI e o passaporte.
Por fim, Apa Muna Cassamo estendeu a responsabilidade desta luta aos homens muçulmanos, instando-os a serem parceiros activos e não apenas espectadores. Ela defendeu que o direito ao hijab não é um “assunto de mulher”, mas uma questão de direitos humanos e familiares.
“Se os homens não estiverem interessados, nós nunca vamos ter uma foto com hijab nos nossos documentos. É preciso que aqueles que Allah decretou como protectores criem parcerias com as mulheres”, finalizou.

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