O Sheikh Abdur Rahman Ravat abriu o ciclo de orientações lembrando que o Hajj é um dos pilares do Isslam, mas que a sua validade depende estritamente do comportamento do fiel.
O sheikh citou a tradição profética para ilustrar a magnitude da recompensa, afirmando que aquele que cumpre o ritual para agradar a Allah, sem pecado, “voltará como o dia em que a sua mãe lhe deu à luz”.
“Um dos sinais que Allah aceitou o Hajj do peregrino é, após voltar para casa, dar continuidade às boas acções… Seu coração estar mais inclinado para o Akhira (Vida Eterna) do que para o Dunya (Mundo Material) ”, explicou.
Na mesma linha de orientação espiritual, o Sheikh Suleiman Fonseca destacou que o Hajj é também o maior teste de temperamento que um muçulmano pode enfrentar. Alertou os peregrinos para a necessidade de um autocontrolo rigoroso perante as multidões e o cansaço.
“Você vai ter que exercer uma paciência jamais vista”, advertiu, explicando que, perante os empurrões e o aperto durante o circular da Kaaba, o crente deve evitar a zanga.
“A melhor forma que você pode se preparar é com o temor a Allah. Começa desde já. Ninguém tem certeza ainda que vai para o Hajj; aquele é um chamamento especial”, sublinhou, instando os presentes a não desperdiçarem tempo em centros comerciais e a focarem-se na recordação de Deus.
A necessidade de abandonar o conforto material foi o ponto central da intervenção do Maulana Fayaz Mayet. O teólogo instou os viajantes a desligarem-se das distracções modernas, mencionando especificamente o uso excessivo de dispositivos electrónicos.
“Um dos aspectos que podem afectar o nosso Hajj são as redes sociais… tente evitar, escolha a melhor companhia, aquela que você sabe que não vai deixar ficar moleza”, sugeriu.
O teólogo recomendou ainda uma visita ao museu Darussalam em MAdina para uma maior conexão histórica, enfatizando que o objectivo final deve ser apenas “alcançar a satisfação de Allah”.
Por sua vez, o Sheikh Mussa Tamio reforçou a importância da súplica e da perseverança, utilizando a história de Moisés e de outros exemplos piedosos para mostrar que a resposta divina requer paciência.
“É preciso ter paciência quando se está a lidar com Allah. Não é que hoje foi para o Hajj e volta e vai apanhar tudo diferente”, explicou. Sheikh Mussa incentivou os peregrinos a chorarem perante o Criador e a pedirem a aceitação dos seus actos, salientando que “a última palavra é de Allah”.
A encerrar as intervenções, o Sheikh Aminuddin Mohammad trouxe uma reflexão crítica sobre a superficialidade que, por vezes, envolve a prática religiosa contemporânea. Ele questionou o porquê de, apesar de existirem dois mil milhões de muçulmanos e o número de peregrinos crescer anualmente, o sofrimento e a imoralidade ainda persistirem.
“Alguma coisa não está bem connosco”, alertou, apontando a falta de transformação real após o Hajj, razão pela qual lançou um desafio.
“Se cada Haji (peregrino) que vem da Arábia fizesse o juramento de corrigir pelo menos dez pessoas da sua família… em dez anos a gente fazia uma revolução pacífica sem derramar uma gota de sangue”, sublinhou.
A cerimónia terminou com orações em prol do Presidente da Direcção da Mesquita Hassan e Hussein, Momade Bachir e da sua família, com os teólogos a reconhecerem a singularidade do seu gesto em enviar anualmente 100 pessoas para o Hajj com recursos próprios.

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