A poligamia, tipo de constituição familiar em que o marido tem legalmente várias esposas, é permitida e praticada em muitas religiões e culturas no Mundo. Entretanto algumas pessoas que acham estar a lutar pela igualdade do género, falam da poliandria, defendendo que, se um homem pode ter várias esposas, então a mulher também pode ter vários esposos. Não obstante a poligamia ser praticada em muitas religiões e culturas, não se conhece nenhum povo praticante de poliandria. Mas esta questão não é nova, pois de vez em quando aparece um pseudo-defensor da igualdade do género a colocá-la à discussão. Todos os países do Mundo têm leis, mas nessas leis há diferenças entre os cidadãos nacionais e os estrangeiros. Se num certo País os seus cidadãos nacionais gozam de prerrogativas de que os estrangeiros não gozam, será que tais prerrogativas atentam contra os Direitos Humanos? Quer parecer que não! O Isslam permite em casos excepcionais, que um homem despose um máximo de 4 mulheres, mas não permite a poliandria. E há nesta proibição muitos motivos, para além da prudência social e conveniência. Por exemplo, se uma mulher tiver ao mesmo tempo vários maridos, claro que, segundo o sistema normal, saídos dos seus empregos, todos os homens voltarão às suas casas para o devido repouso, e com certeza que quererão usufruir das prerrogativas que a união matrimonial lhes oferece. E não é de estranhar que a indisponibilidade da esposa por estar com outro homem possa criar conflitos conjugais, que podem degenerar em intranquilidade acentuada. O casamento não se resume apenas à satisfação das necessidades sexuais, pois também é um meio para se alcançar a simpatia, o amor, a compaixão e a ternura mútuas, já que um dos objectivos do casamento é a aquisição da afeição e misericórdia entre o casal. Geralmente o homem, depois da jornada de serviço, em que encara e interage com várias pessoas dos mais diversos temperamentos, chega à casa cansado e por vezes “stressado”, daí que seja desejável que a esposa o receba da melhor forma, lhe transmita alento, lhe fale com meiguice enfim, lhe abstraia das preocupações inerentes à sua actividade profissional por forma a “recarregar baterias” para a jornada do dia seguinte. Se a mulher tiver vários maridos será muito difícil prestar a devida atenção a cada um deles. Nesta situação é quase impossível à mulher proporcionar sossego e tranquilidade através da sua meiguice, da sua ternura, da doçura das suas palavras. Sendo assim, indubitavelmente que o homem, a não conseguir a tranquilidade e sossego desejados no recesso do seu lar, retornará ao serviço no dia seguinte fatigado, preocupado e triste, não se podendo esperar nesta situação, que este homem seja produtivo no seu local de trabalho. E numa sociedade em que o estado dos funcionários e trabalhadores é de desassossego e intranquilidade, todos os sectores produtivos acabarão produzindo muito abaixo do desejável, atrofiando assim a economia do País, o que acarreta prejuízos sociais e políticos. A poliandria pode também afectar a saúde da mulher, pois esta geralmente é mais saudável antes do casamento, se considerarmos que depois, devido a infinidade de tarefas inerentes ao próprio casamento, adoece relativamente mais vezes. Acresça-se à carga de trabalho a executar, o período menstrual, pois a perda de sangue de alguma forma a enfraquece. Quando engravida também enfraquece. Depois do parto fica de cama, dependente dos outros na satisfação das suas necessidades do dia-a-dia. Portanto nesse caso, se fosse permitido ela ter em simultâneo vários maridos, tendo que satisfazer sexualmente a todos eles, tal seria bastante prejudicial à sua saúde, pois estaria exposta a vários perigos. Se se permitisse que a mulher tivesse vários maridos e claro, nesta situação, ao ter que cumprir com as suas obrigações conjugais com todos eles, caso concebesse colocar-se-ia a questão da paternidade do bebé em gestação. E por estar ligada a vários homens, se tivesse vários filhos estes seriam diferentes uns dos outros tanto na aparência, como no comportamento e no carácter. Para além disso, quem seria responsável pelo sustento, pelos cuidados médicos, pela educação e outras necessidades da criança nascida de uma mulher poliandra? As necessidades da criança não se limitam apenas ao seu sustento, mas também a uma educação aceitável, a um bom comportamento moral, para que assim essa criança ao crescer seja um bom cidadão, seja um elemento útil à sociedade, e desempenhe o seu papel de forma positiva na edificação da sua terra. Para tal é necessário que em casa haja um ambiente agradável e harmonioso, e a criança esteja permanentemente sob atenção do seu progenitor. Mas se o ambiente de casa for de conflitos e altercações, e dada a pluralidade de maridos com todos eles apenas preocupados com a satisfação dos seus desejos carnais, quem nesse caso cumprirá com a tarefa de educar as crianças e aperfeiçoar o seu comportamento moral? Colocar-se-ão também outras dúvidas sobre a paternidade de cada criança. A que marido atribuir a paternidade de cada uma das crianças nascidas nessa relação poliandra? Qual seria a reacção de um marido que descobre que a mulher lhe atribuiu uma criança que na realidade não é sua mas sim de outro homem? Aí perderia todo o interesse em dispensar afecto e carinho, e também em prover cuidados de educação e saúde à uma criança que comprovadamente não é sua, podendo até furtar-se à tutela dessa criança. E isso levará a que a criança fique desprovida do carinho do pai, não tendo então um crescimento normal. E a haver mais crianças nesta situação, tal contribuiria para a degeneração do tecido social, económico e político. Na poliandria há humilhação à mulher, sendo por isso que o Isslam defende que a mulher só pode ter um único marido de cada vez, para qua assim viva uma vida honrosa. Saliente-se que um governante pode ter sob sua alçada em simultâneo, vários tipos de subordinados, mas um subordinado não pode estar sob tutela de vários governantes em simultâneo. A poliandria pode também ser a causa de problemas demográficos por via da diminuição da população, se considerarmos que um dos objectivos do casamento é a preservação da espécie humana. E se uma mulher tiver ao mesmo tempo vários maridos, podendo ter em cada gestação apenas um ou dois nados, naturalmente que isso irá diminuir a população humana. Estatísticas indicam que o número de nascimentos de rapazes e meninas é quase equiparado. Porém, o número de mortes de homens é superior relativamente ao de mulheres devido a vários motivos. Por exemplo, nos conflitos armados morrem mais homens. Só na I Guerra Mundial (1914 – 1918) morreram em combate cerca 8.000.000 (oito milhões) de homens, de entre militares e civis. Na II Guerra Mundial (1939 – 1945) morreram ou ficaram feridos mais de 60.000.000 (sessenta milhões) de pessoas, sendo na sua maioria homens. E noutras guerras também morrem mais homens do que mulheres. Temos também os acidentes de trabalho e outros tipos de desastres em que morrem mais homens, pelo que o desequilíbrio e a diferença no número de homens e mulheres é uma questão permanente que existe em tempo de guerra e nas condições gerais. E por isso a poligamia é uma forma de se minimizar este desequilíbrio entre o número de homens e de mulheres. A poliandria apresenta-se como uma revolta contra a natureza, e revoltar-se contra a natureza sempre acarreta más consequências e destruição para a Humanidade. Peritos em medicina são unânimes em considerar que a principal causa da sida e do cancro do útero é a vagabundagem sexual. Quando no útero de uma mulher se junta sémen de vários homens, torna essa mulher vulnerável à contracção da sida, bem como do cancro do útero, sendo por isso que o Isslam defende que uma mulher divorciada só pode voltar a casar-se com outro homem depois de decorrido o período de espera obrigatória (iddah), para assim certificar-se de que o útero está completamente limpo. Por: Sheikh Aminuddin Mohamad



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