Não são tempos de deixar a mídia islâmica de fora, e reconhecer isso não é vaidade, é uma questão de consciência e de necessidade. Durante muito tempo, vivemos a achar que a verdade sobre nós se explicaria sozinha, enquanto víamos a nossa própria história ser contada por pessoas de fora. A verdade é que nós, muçulmanos, demorámos muito para perceber a força que a mídia tem. Mesmo nos países islâmicos que hoje nos servem de exemplo, essa ficha só caiu tarde, depois de a imagem do Isslam ter sido coberta por preconceitos e ideias erradas que carregamos até hoje. Lá fora, eles já acordaram e estão a investir a sério na mídia. Mas a pergunta que não quer calar aqui em Moçambique e nos países de língua portuguesa é: e nós, o que estamos a fazer? Precisamos de mudar urgentemente a ideia de que a mídia islâmica serve apenas para divulgar datas de eventos, reuniões ou avisos. A mídia é muito mais do que um panfleto de recados. Ela é a voz do povo, uma ferramenta para educar, defender os nossos direitos, cobrar quem de direito e transformar a sociedade. Como bem disseram há pouco tempo vários teólogos, académicos e profissionais num encontro: depois do conhecimento, é a mídia que vai ajudar a mudar a forma como as pessoas vêem o Isslam. Esta reflexão nasce de uma dor real e do respeito por aquilo que vemos todos os dias, a falta de valorização e de apoio aos jovens que estão na linha da frente da mídia islâmica. São jovens que, mesmo sem recursos e enfrentando mil barreiras, não desistem e trabalham dia após dia. É por eles que precisamos de acordar. E a esses jovens que fazem a mídia acontecer, fica o recado. A comunicação muda a todo o momento e nós precisamos acompanhar essa evolução. Não podemos estagnar. As dificuldades financeiras são grandes, sim, mas vale aquela frase que um amigo meu sempre diz: “trabalha com o que tens”. Faz o teu melhor com os recursos que estão na tua mão hoje. Ao mesmo tempo, esses jovens precisam de buscar dois tipos de conhecimento. Primeiro, o conhecimento religioso. Estudar a fundo a nossa fé para agir e comunicar sempre de acordo com os princípios e valores islâmicos. Segundo, o conhecimento profissional, aprender as técnicas de jornalismo, audiovisual e redes sociais para fazer um trabalho bem-feito e com qualidade. Mas essa missão não é só dos jovens que estão a gravar ou a escrever. É de todos nós. Para a nossa voz crescer e ter força, cada um tem de dar o seu contributo com o que tem. Os profissionais da mídia ajudam com a sua experiência e ensinam quem está a começar. Os empresários entram com o apoio financeiro e o patrocínio que mantêm os projectos de pé. Os teólogos e académicos ajudam com o conhecimento e a orientação certa. Precisamos de acordar, unir forças e, acima de tudo, corrigir as nossas intenções. Fortalecer a mídia islâmica não é para aparecer, é para garantir que a nossa história seja contada por nós mesmos, com a verdade e o respeito que a nossa comunidade merece. Ekibal Seda – jornalista



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