Deus diz nos Vers. 23 e 24 do Cap. 2 do Qur’án: “E se estiverdes com dúvidas naquilo que revelamos ao Nosso servo (Muhammad), produzi um Surat (capítulo) igual. E invocai ajuda às vossas testemunhas ou apoiantes (se existem), para além de Deus, se sois verídicos (nas vossas dúvidas). Mas se não o fizerdes, e nunca haverdes de o fazer, então temei o fogo cujo combustível são Homens e pedras, preparado para os descrentes”.

Noite após noite, no mês de Ramadhaan, os crentes assistem a uma cena única nas mesquitas onde quer que se encontrem. Eles participam numa oração especial – o Tarawih – em que o Imaam durante todo o mês recita de memória o Qur’án. Os que realizam esta extraordinária proeza de memorização integral do Qur’án, não são de forma alguma um grupo de pessoas cujo número possa ser contado com os dedos das duas mãos, mas sim são-no aos milhões.

A maioria dos muçulmanos no Mundo não fala árabe, mas mesmo assim, aqueles que se entregam à aprendizagem e memorização do Qur’án, aprendem cuidadosamente a pronunciar correctamente cada palavra do Livro Sagrado. Este fenómeno não é resultado de alguma emoção passageira, pois desde os primórdios do ressurgimento do Isslam e ao longo de séculos, o número de crentes que memorizou o Qur’án foi sempre aumentando pelo Mundo fora onde haja muçulmanos, afigurando-se impossível encontrar algo igual em qualquer outra religião.

O Qur’án é o Livro mais lido no Mundo, sendo o único que é estudado e integralmente memorizado. Estimulou o desenvolvimento de muitas disciplinas científicas ligadas à leitura, à escrita e à interpretação, e não só. Foi o primeiro livro em língua árabe e decorridos quase quinze séculos, a sua linguagem mantém-se viva como quando foi revelado.

Não existe outro exemplo em que o primeiro livro numa língua se torna a sua obraprima, de tal forma que continua sendo uma Eterna Obra-Prima Universal.

Este Livro foi revelado para orientar e guiar a Humanidade até ao fim do Mundo. Decorrido quase milénio e meio, a sua linguagem e beleza literária, mantêm-se inalteradas o que evidencia a sua natureza milagrosa. Da mesma forma, o seu conteúdo também não ficou afectado com o decorrer dos tempos.

O Qur’án revelou factos que os cientistas só viriam a descobrir muitos séculos mais tarde, não havendo nenhum que a ciência possa refutar.

Ele fala da história antiga, das civilizações do povo de Ad que viviam no Médio Oriente e que foram aniquilados, informações estas que não era possível adquirir de nenhuma outra fonte. A sua veracidade foi confirmada pelas descobertas científicas. Acima de tudo, ele proporciona-nos um sistema de crença e um código de conduta para a vida, o que é relevante, iluminante e verdadeiro.

Hoje, assim como foi no início e ao longo destes quinze séculos, os crentes sabem que este Livro está acima do espaço e do tempo porque as palavras que nele constam são palavras do Criador do espaço e do tempo.

Mas os que olham de fora e são apenas meros curiosos, podem considerar os seguintes factos adicionais: o Profeta Muhammad (S.A.W.) era iletrado, não tendo frequentado nenhuma escola, nem recebido lições de algum professor. Portanto, não sabia ler, nem escrever. Como então explicar que aos quarenta anos de idade, repentinamente adquirisse a capacidade de recitar esta Maravilhosa Revelação?

O Qur’án foi revelado ao longo de um período de 23 anos, cobrindo uma variada gama de temas. Este período de 23 anos da vida do Profeta não constituem um período passado no isolamento. Ele não se retirou para alguma gruta ou caverna para produzir este milagroso Livro. Ele mesmo estava profundamente emocionado com o Livro, passando habitualmente horas a fio, sozinho, em orações nocturnas recitando este Livro com tanto fervor até incharem-se-lhe os pés. E é claro que ninguém se emociona com as suas próprias palavras.

Os que com sinceridade procuram a orientação e a verdade, com uma mente aberta, encontrarão respostas às suas perguntas. A sua confusão será removida e os seus problemas serão resolvidos nas páginas deste Livro.

Continuação de um Ramadhaan Proveitoso.

Sheikh Aminuddin Mohammad