Frequentemente, nós criticamos o Estado, mas recorremos ao suborno para obter vantagens pessoais. O empresário critica o governo, mas sonega impostos ou manipula contratos em benefício próprio. O funcionário critica os líderes, mas falta ao trabalho ou desvia recursos.
Afinal, quem é o alvo e a vítima da corrupção o Estado ou o povo? Criticar a corrupção pública enquanto se pratica corrupção privada constitui uma forma de incoerência ética. O Alcorão adverte: “Ordenais o bem às pessoas e vos esqueceis de vós mesmos?” (2:44)
Este versículo evidencia que a crítica à corrupção ou à injustiça só tem legitimidade quando respaldada pela integridade pessoal. O Isslam enfatiza que a reforma interna precede a reforma externa, exigindo coerência moral. O Alcorão estabelece um princípio geral, advertindo:
“E não consumais os vossos bens entre vós injustamente…” (Alcorão 2:188) Este versículo não faz distinção entre governantes e cidadãos, aplicando-se igualmente a todos os membros da sociedade.
Se nos perguntamos por que a confiança pública está em declínio, devemos ter a coragem de reconhecer que a corrupção, em todas as suas formas, é uma das causas centrais desse fenómeno.
Quando a corrupção se instala, essa confiança é inevitavelmente quebrada. O Isslam associa a estabilidade social à preservação da confiança, considerando-a um dos pilares da ordem moral e institucional.
O Alcorão afirma: “Por certo, Allah vos ordena que restituíeis as confianças a quem de direito…” (4:58) Em grande medida, a erosão da confiança pública está directamente ligada à corrupção, seja ela pública, privada ou individual.
Portanto, a reconstrução da confiança começa pela integridade moral do indivíduo. Sem integridade pessoal, não há reforma social sustentável. Por essa razão, o Isslam considera a corrupção uma prática condenável e moralmente ilícita. O Profeta (S.A.W) advertiu severamente contra o suborno, amaldiçoando tanto quem o oferece quanto quem o recebe.
A voz da prosperidade
Sheikh Muhammad Tacuane