O Qur`án proclama que a mensagem do Profeta Mohammad (S.A.W.) é universal,  para todos os tempos, Eras, locais e gentes, e foi por isso que os milagres que lhe foram  atribuídos por Deus são eternos, mantendo-se sempre actuais.

O grande milagre que o  Profeta apresentou foi o Qur`án, que passados mais de 1.400 anos continua na sua forma  original, e assim continuará até ao Fim-do-Mundo, contribuindo para o enriquecimento  das civilizações e falando acerca de Deus com fundamentos claros e convincentes.  

 Por ser o último Mensageiro, o Profeta Mohammad (S.A.W.) foi munido de tudo o  que a Humanidade precisaria ao longo dos tempos, pois se assim não fosse, os que se  opõem e combatem o Isslam questionariam frequentemente: “Porque é que a  Humanidade está tão arraigada a pensamentos de há mais de 1.400 anos”?

E de facto há  gente que assim fala, tentando criar obstáculos à progressão do Isslam. Há gente que diz  que, seguir os ensinamentos do Profeta não só é uma estagnação como é um retrocesso no  progresso da Humanidade.

O Isslam rejeita este conceito, pois cronologicamente é a  religião Divina mais jovem. Passaram-se apenas cerca de pouco mais de 1.460 anos  desde o seu advento. No Cristianismo passaram cerca de 2025 anos. No Judaísmo já se  passaram mais de 7.000 anos. Mas não se houve dizer que seguir o Cristianismo ou o  Judaísmo é um retrocesso, quando estas duas religiões são mais antigas que o Isslam.  Haverá coerência nessa forma de pensar?  

 É necessário conhecer os fundamentos do Isslam, recomendando-se que se siga a  lógica. É uma religião baseada na convicção da mente humana, pois ordena-nos que para  crermos em Deus devemos meditar em tudo o que nos rodeia e como fomos criados.

É  necessário que meditemos por exemplo, nos alimentos que consumimos e como é que  eles surgem. No Qur`án, Deus apresenta-se à Humanidade encorajando-a a reflectir na  natureza, nos Seus favores e no Seu poder, na alternância do dia e da noite. Recomenda 

nos que meditemos na Terra, no Sol, na Lua, no seu maravilhoso e sincronizado  funcionamento, e na complexidade de funcionamento do corpo humano.   A crença em Deus não tem nada a ver com o desenvolvimento dos tempos. Será  que com a mudança dos tempos se muda também a unicidade de Deus? Deus é Um e  Único há milhões de séculos. Será que com o decorrer dos tempos mudar-se-á a  unicidade de Deus passando a ser vários?  

 A moral que o Isslam propaga e defende não tem nada a ver com o  desenvolvimento. A castidade, a honestidade, a justiça ou a sabedoria são qualidades  louváveis. Será que com o desenvolvimento e com o decorrer dos tempos a ignorância, a  injustiça, a imoralidade, a paixão animalesca tornar-se-ão virtudes? Nunca! 

 O Isslam defende a higiene e a pureza. Será que com o desenvolvimento se  dispensa o banho e a ablução?  

 Será que a relação entre o Criador e a criatura, entre o Alimentador e o alimentado,  entre O que estende a Sua mão para dar e o que estende a sua para receber, entre o Forte e  o fraco, entre o Potente e o impotente ir-se-á alterar com o decorrer dos tempos? Será que  Deus passará a ser servo e o servo passará a ser Deus?  

 O que é que o desenvolvimento tem a ver com o nosso Criador? O Ser Humano  prostra-se perante o seu Senhor na oração e diz: “Todo o Louvor para Deus, o Senhor dos  Mundos”, ou diz: “Glória para o meu Senhor, o Grande”. Isso são realidades e o  desenvolvimento nada tem a ver com isso.  

 Os profetas não foram enviados para nos ensinar como é que se extrai o petróleo, o  ouro e os diamantes da terra, ou como se monta uma indústria, etc. Isso são trabalhos  humanos deixados ao critério humano.

Para tal, Deus dotou o Homem de inteligência  para inventar e investigar, em suma, para se desenvolver a si mesmo, o que faz a  diferença entre ele e o animal. E a utilização da sua capacidade de raciocínio tem a ver  com a gestão dos recursos que Deus colocou à sua disposição, e não com a subversão dos  princípios de submissão.

Quem trabalhar e esforçar-se, colherá os resultados desse  trabalho e esforço, seja ele religioso ou não, e quem não se dedicar ao trabalho sofrerá  privações, por muito fervoroso que seja nas suas orações.  

 O Isslam encoraja a expansão da sabedoria e da ciência, pois o seu domínio  favorece o bem-estar, desenvolvimento e progresso humanos.  

 É necessário que situemos cada coisa no seu devido lugar, não tomando uma coisa  por outra, pois de contrário confundir-nos-emos acabando por descambar no ateísmo.   Antes da profecia de Muhammad (S.A.W.) os árabes reivindicavam ser seguidores  da religião trazida por Ibrahim A.S. (Abraão).

Eles criam em Deus, observavam o Swalát  (orações rituais) e o Hajj (peregrinação) e pagavam o Zakát (taxa obrigatória destinada  aos necessitados) mas, contudo, já tinham introduzido inovações na religião (bid’ãt).

O  Profeta (S.A.W.) passou os primeiros treze anos da sua profecia na cidade de Makkah  tentando depurar o que foi acrescido à religião, e foi por isso que enfrentou uma séria  oposição, obrigando-o juntamente com os poucos que o seguiam a emigrar para a cidade  de Madina.  

 Portanto, combater o politeísmo e a inovação na religião, purificando-a das práticas  adicionadas, é uma obrigação e prioridade dos Ãlimos (teólogos). Se o bid’ãt fosse  tolerado, chegar-se-ia a um extremo em que já não se saberia distinguir os verdadeiros  fundamentos da religião, das inovações.  

 Há quem se intitule de “sunni”, isto é, seguidor das tradições do Profeta, festejando  o seu nascimento com práticas que nada têm a ver com aquilo que ele nos ensinou, em  detrimento das reais obrigações do muçulmano.  

 Saibamos que é muito mais proveitoso suprir as necessidades alimentares de  milhares de carentes que pululam pelas nossas ruas do que comemorar o nascimento do  Profeta com práticas que não nos trazem benefício nenhum.  

 A melhor forma de demonstrar amor para com Muhammad (S.A.W.) é seguir os  seus ensinamentos, abstendo-se de praticar inovações.

Por: Sheikh Aminuddin Mohamad