O Profeta Muhammad (S.A.W.) definiu a meta principal da sua missão dizendo: “Eu fui enviado para aperfeiçoar o comportamento moral”. Portanto, o grande esforço que o Profeta desenvolveu no cumprimento da sua missão, fazendo chegar o mais longe possível a palavra divina, era direccionado à Humanidade, com o objectivo de fazer com que esta adquirisse a perfeição, reforçando a virtude e fazendo brilhar os horizontes da bondade.

Adoptando-os conscientemente, os actos de adoração (rituais) que foram instituídos e declarados mandamentos no Isslam, não são de forma alguma dogmas que ligam o ser Humano ao oculto desconhecido, ou o incumbem de cumprir actos complicados e sem significado.

Os rituais que o Isslam ordenou, são na realidade exercícios repetidos para habituar o Homem a pautar por um comportamento correcto, assegurando-o firmemente mesmo em circunstâncias difíceis. É como quem prática com gosto e regularidade exercícios físicos para ter uma saúde sã.

O Qur’án e as Tradições Proféticas esclarecem isto. Por exemplo, quando Deus no Versículo 45 do Capítulo 69 fala do Swalaat (oração), diz: “E cumpri o Swalaat. Na verdade o Swalaat impede o seu praticante da imoralidade e da maldade”.

Consta no Hadith (ensinamentos do Profeta) uma passagem em que Deus diz: “Eu só aceito o Swalaat daquele que demonstra humildade perante a Minha Grandiosidade, que não é injusto para com a Minha criatura, que não insiste na desobediência, que passa a noite na Minha recordação e que se compadece dos pobres, dos viajantes, das viúvas e dos aflitos. (Al-Bazzáz) 

O Zakaat obrigatório não é um imposto nem uma taxa, mas serve para implantar sentimentos de compaixão e simpatia, e reforçar relações de amizade entre as várias classes da sociedade, sendo por isso que Deus diz no Qur’án: “Tome dos seus bens uma esmola com a qual vos possais purificar e os possais elevar”.

E é por isso que o Profeta Muhammad (S.A.W.) ampliou o significado da palavra “caridade” que um muçulmano deve observar, abrangendo outros actos, dizendo: “Sorrir perante o teu irmão é uma caridade. Ordenar o bem e proibir o mal é uma caridade.

Afastar um espinho, um osso ou algo que provoque ferimentos (casca, vidro, etc.) do caminho é uma caridade (Al-Bukhari). Estes ensinamentos demonstram os altos objectivos traçados pelo Isslam, particularmente naquele meio desértico onde os árabes viviam num ambiente permanentemente difícil.

Da mesma forma é o Jejum que na realidade não é uma privação temporária de comida e bebida, mas sim um passo para a privação eterna das paixões ilícitas, sendo por isso que o Profeta diz: “Quem não se abstém de mentir, Deus não se importa que ele deixe de comer e de beber”.

O Profeta diz ainda: “Jejum não é deixar de comer e beber, mas sim deixar de pecar e de praticar futilidades. E se alguém te insultar quando estiveres de Jejum diga apenas: eu estou de Jejum”.

O Qur’án diz que o objectivo do Jejum é o alcance da piedade pelo jejuador. Da mesma forma é o Hajj (a peregrinação à Makka) que não é apenas uma simples viagem de quem tem posses, à Terra Santa. Essa viagem tem grandes significados, conforme consta no Qur’án.

Estes são exemplos de alguns rituais muito conhecidos no Isslam, considerados os seus pilares. O Swalaat, o Jejum, o Zakaat, o Hajj e outros actos de adoração, são graus de perfeição e meios de purificação que protegem a vida e elevam a posição do praticante.

Se a pessoa não aproveita para se purificar através desses rituais, melhorando a sua imagem perante Deus e perante as pessoas, então caminha para a perdição. O fraco comportamento moral é sinal de que a fé é fraca, pois o Profeta diz: “A vergonha e a fé andam juntas, já que sempre que uma se eleva, a outra lhe segue o exemplo.

O Profeta Muhammad (S.A.W.) diz repetidamente que não é crente aquele que não oferece garantias de segurança ao seu vizinho, isto é, aquele que vive faustosamente e come  bem quando o seu vizinho dorme esfomeado”. 

E diz: “Quem crê em Deus e no Último Dia, que fale do que é bom ou então que se mantenha calado”.

E consta que certa vez informaram ao Profeta acerca de uma senhora que era muito devota e cumpria com as suas orações, tanto as obrigatórias como as facultativas,  jejuava e praticava a caridade, mas em contrapartida incomodava os seus vizinhos com a sua língua. E então o Profeta disse: “Ela irá para o Inferno”. Falaram-lhe também de uma outra senhora que falhava nas suas orações no jejum e na caridade (facultativos), mas contudo não incomodava os seus vizinhos.

A isso o Profeta respondeu que ela iria para o Paraíso. Esta passagem indica-nos o valor do comportamento moral no Isslam. E segundo o Profeta (S.A.W.), o verdadeiro falido é aquele que praticando o Swalaat, o Zakaat, o Jejum e outros rituais, mas entretanto insulta as pessoas, devora ilicitamente as riqueza dos outros, assassina, agride, etc., este irá eventualmente parar no Inferno.

A prática da religião sem um comportamento moral adequado não tem valor nenhum. E por isso o Profeta diz: “Quem tiver dentro de si três defeitos é um verdadeiro hipócrita, ainda que jejue, observe o Swalaat, performe o Hajj ou Um’ra, e afirme ser muçulmano. Os defeitos referidos são a mentira, o não cumprimento das  promessas e a traição da confiança nele depositada”.

Com estes ensinamentos torna-se claro que o Isslam veio para elevar o Homem à mais alta perfeição, pois o comportamento moral não é um luxo que possa ser dispensado mas sim é a base da vida aprovada pela religião isslâmica. E segundo o Profeta, os mais queridos perante Deus são os que possuem o melhor comportamento moral.

Portanto devemos assimilar as boas qualidades e deixar as más, pois hoje o  Homem consegue voar como um pássaro, nadar como um peixe, mas ainda não consegue viver na Terra como um verdadeiro Ser Humano.