O Sheikh Abu Atibo abriu a sessão com um testemunho pessoal sobre as escolhas que moldam o destino, recordando que a perda precoce da sua mãe o colocou perante uma encruzilhada entre os caminhos da Mafalala.
“Lá eu tinha duas opções. Uma era me envolver com todos aqueles que lá moravam e seguir um caminho. E a outra foi optar por tornar-se amigo de Allah”, explicou, narrando como essa decisão lhe abriu portas para estudar na África do Sul, na Índia e, finalmente, estabelecer-se no Brasil.
Com um olhar encorajador, ele sublinhou que a ausência de progenitores não define a capacidade de uma jovem.
“Não ter mãe ou não ter pai por perto não quer dizer que você é fraca. Embora eles não estejam por perto, nós temos que sempre aprender a buscar o nosso próprio caminho e esse caminho que vai nos beneficiar”, esclareceu.
Para o Sheikh Abu Atibo, a paciência e a firmeza na educação religiosa são as chaves para conquistar um mundo que, segundo ele, carece do conhecimento produzido em Moçambique.
Ele instou as alunas a não permitirem que a sua origem geográfica limite as suas aspirações, afirmando categoricamente que “o mundo todo está à espera de vocês. Eu no Alto Maé, morei na Mafalala, não significa que eu tenho que morrer no Alto Maé ou morrer na Mafalala”, sublinhou.
O Sheikh destacou que o Brasil é um campo fértil que aguarda por essas futuras líderes, reforçando a relevância internacional do país.
Sheikh Aminuddin Mohammad reflecte sobre a preparação espiritual e a vida pós-morte
Complementando esta visão, o Sheikh Aminuddin Mohammad trouxe uma reflexão sobre a natureza da existência, equilibrando o incentivo ao sucesso terreno com a inevitabilidade da morte.
Utilizando exemplos da natureza para ilustrar como todos os seres fogem do fim, ele questionou aos presentes sobre a preparação para o que é infalível.
“Esta terra, neste momento, sobre a qual você está a andar, vai se tornar o teu teto”, disse o Sheikh Aminuddin explicou que, na transição para a vida do além, os laços materiais e sociais desvanecem-se.
“Tua mulher não vai te acompanhar. Por mais bonito que seja você, ninguém da tua família vai te acompanhar. Nada vai te acompanhar ali. Mas tua recitação do Alcorão, teu sualat vai te fazer companhia”, elucidou, reforçando que as acções e a fé são os únicos bens transportáveis.
O Sheikh Aminuddin também cativou as alunas ao abordar a dimensão científica do Alcorão, citando milagres linguísticos associados à figura de Isa (Jesus).
“Ele viveu 33 anos. E pronunciou no momento do nascimento 33 palavras. Isto é um milagre. As maravilhas do alcorão não cessam”, afirmou, incentivando as jovens a verem o colégio como uma “fortaleza” de conhecimento.
Ao encerrar, Sheikh Aminuddin destacou que para o crente que se prepara, a morte deixa de ser um temor para se tornar o “fim de preocupações e fim de medo”, desde que cada uma vá para o futuro “já equipada com aquilo que adquiriu.

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