O evento, que reuniu dezenas de mulheres de Moçambique, Angola e de outros países da lusofonia, serviu de alerta contra a mercantilização da imagem feminina e a exposição da vida familiar em plataformas como o WhatsApp, Instagram e TikTok.

Na sua palestra, a Muallimah alertou para a dependência dos telemóveis, que estão nas nossas vidas “24 sobre 24” horas, e comparou o ambiente virtual a um espaço vasto e desafiador.

“As redes sociais chegaram como um mar sem margens para nós. Basta a gente fazer um clique, nós podemos espalhar conhecimento (…). Mas, nesse mesmo mar das redes sociais, a dignidade pode também se afogar, se não houver uma âncora”, explicou, apontando que essa âncora é a modéstia, definido por si como uma demonstração de força, é a capacidade de dizer não a um vídeo inadequado, dizer não a uma fotografia imprópria.”

Um dos pontos mais urgentes focou-se na exposição da imagem e na busca por popularidade virtual. A oradora deixou uma mensagem clara ao afirmar que “o corpo da mulher não é conteúdo”, criticando a mercantilização da aparência física.

Mualimah Muna Cassamo lembrou que, hoje, a exposição ultrapassou os limites físicos. “Nos dias actuais, muitas vezes a exposição não acontece apenas na rua. Acontece através da câmera do nosso telemóvel. Quando uma fotografia é publicada para milhares de desconhecidos, a exposição sai de casa”.

Para a oradora, os cuidados devem ser redobrados, pois “a internet também é rua. Tem homem, tem olhar, tem comentário”.

Abordando a privacidade familiar, ela lamentou a tendência de expor a rotina do lar nas plataformas digitais.

“As nossas mães diziam: problema de casa não se conta para vizinho. Boca de fora estraga lar. Hoje, o status é o nosso novo vizinho”, observou, alertando que “a barra de casa desaparece quando a intimidade vira publicação”.

A Mualimah também criticou a dependência psicológica dos “likes” e pediu especial atenção à protecção das crianças na internet, recordando que as mães são a “primeira escola” dos filhos.

A fechar o evento virtual, a oradora desafiou as participantes a assumirem compromissos práticos, como gerir o tempo de ecrã e purificar as intenções antes de qualquer publicação, usando a tecnologia para espalhar o bem.

“Não precisamos ser modernas, precisamos continuar a ser muçulmanas. Porque uma mulher muçulmana, uma mulher com dignidade, cria uma geração com dignidade”, concluiu, exortando a comunidade a transformar as redes sociais numa fonte de recompensa e não de prejuízo espiritual.