Em seus primeiros pronunciamentos na capital Argel, o pontífice destacou que cristãos e muçulmanos são “filhos do único Deus” e “irmãos” que devem caminhar juntos em direcção à paz e à justiça social.

A mensagem de reconciliação foi proferida inicialmente no Memorial do Mártir, monumento que simboliza a luta e a soberania do povo argelino. Perante uma nação onde 98% da população professa a fé islâmica, Leão XIV exaltou a riqueza espiritual da Argélia, afirmando que um povo que ama a Deus possui o tesouro mais verdadeiro.

Segundo o papa, o respeito mútuo é a base fundamental para a estabilidade internacional e para o diálogo nas margens do Mediterrâneo, sendo um dever dos fiéis de ambas as religiões declarar com convicção a sua unidade perante uma humanidade sedenta de reconciliação.

Utilizando a geografia do Magrebe como metáfora, o Papa recorreu à imagem do deserto para lembrar que o isolamento e a auto-suficiência são ilusões, e que as dificuldades da vida servem para recordar a necessidade mútua e a dependência de Deus.

A cerimónia foi marcada pela diversidade, contando com testemunhos de mulheres muçulmanas e representantes de diferentes vertentes cristãs, reforçando o pilar da oração que purifica os corações.

Esta visita à Argélia é o ponto de partida da primeira viagem de Leão XIV ao continente africano, que seguirá até o dia 23 de abril com passagens programadas pelos Camarões, Angola e Guiné Equatorial.