Segundo Sheikh Munir, o número de fiéis afectadas é muito reduzido no país. O responsável explicou que o cumprimento da norma legal não viola os preceitos religiosos, sublinhando que “o uso de burca a cobrir o rosto, seja o niqab, onde os olhos são visíveis, e a burca onde o rosto está tapado não é obrigatório no Isslam”.
Por essa razão, a mulher muçulmana “se estiver num espaço público e se tiver o rosto destapado, não está a cometer nenhuma transgressão perante o Isslam,” sendo esta a mensagem transmitida no trabalho de sensibilização junto das fiéis oriundas de outros países.
Para o Sheikh, a integração e a observância do enquadramento jurídico local devem prevalecer no quotidiano da comunidade.
“Quando se vive num país onde a partir de agora há uma lei em que cobrir o rosto no espaço público é uma transgressão, que é punida e viola a lei, elas terão que cumprir. Há que respeitar a lei, acima de tudo”, defendeu.
Na mesma entrevista, o imamo lamentou ainda a forma como a temática foi debatida no plano político português, apontando que “infelizmente alguns partidos tentaram estigmatizar esta situação de uma forma mais polémica, dando o nome da “lei da burca”.
Afastando rótulos sobre as praticantes em Portugal, o responsável frisou que “esta coisa de dizer que uma muçulmana veste a burca, ou o niqab, é submissa, é considerada como escrava, no nosso país felizmente isto não acontece.”
Apesar do impacto emocional e espiritual que a adaptação pode gerar em quem mantém o hábito desde o país de origem, a liderança muçulmana manifestou confiança na transição gradual.
“É normal que algumas senhoras se sintam um pouco tristes, porque estão habituadas desde o início a vestirem a burca. Mas vão-se adaptar e as coisas irão correr com muita normalidade”, concluiu o sheikh. (Espaço Islâmico / RTP)

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