Os restos mortais sepultados foram resgatados dos escombros de um complexo residencial destruído por ataques aéreos no dia 22 de novembro de 2023, num massacre que provocou a morte de 308 palestinianos.
Devido à extrema intensidade dos bombardeamentos, os corpos de várias vítimas permanecem sob os escombros e nenhum vestígio de outros restou, enquanto dezenas de famílias continuam a aguardar notícias sobre os seus entes queridos desaparecidos.
As operações de busca e resgate duraram mais de duas semanas e exigiram um esforço por parte das equipas de emergência locais.
“Nossas equipas trabalharam ininterruptamente por 17 dias em um esforço para recuperar esses 112 corpos e restos mortais debaixo dos escombros”, relatou Mohammad Al-Mughayyir, director de operações da Defesa Civil de Gaza.
Entre as vítimas mortais agora sepultadas, 44 eram crianças pertencentes à mesma família extensa, segundo confirmou Mahmoud Bassal, porta-voz da Defesa Civil.
Durante as exéquias, Bassal dirigiu-se à comunidade internacional, questionando “Povos do mundo, por que essas crianças estão sendo mortas em Gaza? Povos livres do mundo, respondam-nos!”. Bassal alertou ainda que mais de oito mil corpos permanecem presos sob os escombros em toda a Faixa de Gaza.
Num terreno baldio entre edifícios arrasados, fileiras de macas foram dispostas ordenadamente e cobertas com bandeiras palestinianas e fotografias dos falecidos que puderam ser identificados, enquanto homens se alinhavam na areia em silêncio para orar.
Para Ahmed Abu Sharia, familiar das vítimas, a cerimónia trouxe algum desfecho às famílias. “Viemos para lamentar nossos mártires, crianças, mulheres e idosos”, afirmou Abu Sharia, sublinhando que “este é um funeral para o povo palestino, porque eles são as vítimas. Há pessoas sob os escombros, e elas não lutaram nem portaram armas”
Por sua vez, um elemento da família Al-Husayneh expressou o desespero de não conseguir recuperar outros parentes, desabafando que “o restante dos corpos das vítimas foi vaporizado, e seus ossos e carne se misturaram aos escombros de concreto”, questionando por que razão “Israel matou tantas crianças”, uma vez que “não havia nada nelas que justificasse atacá-las”.
Refira-se queum relatório publicado pelo Banco Mundial, União Europeia e ONU estimou a existência de 68 milhões de toneladas de entulho espalhadas pela Faixa de Gaza, revelando que mais de 60% da população do território perdeu as suas casas.

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