Cruzando profecias islâmicas com os desafios da sociedade contemporânea, o teólogo afirmou que a humanidade já vivencia um período em que “não restará nada do que o nome do Isslam” e em que, daquilo que simboliza o Alcorão, “restará apenas a sua escrita”.
Perante os fiéis, o Sheikh criticou a superficialidade da prática religiosa actual, sublinhando a contradição entre o aumento dos locais de culto e a decadência moral dos indivíduos.
“As mesquitas estarão lotadas, sofisticadas, bem estruturadas. Mas quanto à orientação, estarão bem vazias”, advertiu, assinalando que a abundância física dos templos modernos disfarça uma profunda crise de fé e de carácter.
Para ilustrar a separação entre o ritualismo e a conduta moral no dia-a-dia, o Sheikh Mussa Ossumane recorreu a uma experiência pessoal vivida no mercado da Estrela, em Maputo.
Ele relatou ter comprado um telemóvel a um comerciante muçulmano que ouvia palestras islâmicas na sua banca e que chegou a dirigir a oração na mesquita. Dois dias depois, o Serviço Nacional de Investigação Criminal contactou o Sheikh informando que o aparelho era roubado.
“Nós encontramos pessoas a fazerem sualat e as mesmas pessoas a cometerem imoralidades”, lamentou o orador, explicando que as orações diárias perderam o poder da ligação espiritual e a sua eficácia social.
Sheikh Mussa Ossumane queixou-se também da mercantilização do Alcorão, frequentemente reduzido à memorização mecânica sem qualquer impacto no carácter, no trabalho ou na prática dos crentes.
Citando o teólogo Hassan al-Basri, o Sheikh lembrou que muitos se orgulham de ter filhos que memorizaram o texto sagrado, mas que, na verdade, “desperdiçaram todo o Alcorão” por violarem as suas leis.
No fim, o Sheikh Mussa Ossumane lançou uma advertência sobre o surgimento de “sábios perversos e desviados” que utilizam o conhecimento para manipular as massas, satisfazer caprichos pessoais e espalhar tentações.
É neste sentido que o sheikh apelou à comunidade para que resgate com urgência a “doçura da fé” e a verdadeira espiritualidade, concluindo com um apelo à reforma espiritual,
“Ser muçulmano é isto. Escutou a verdade e seguiu. Escutou a verdade e largou o erro”, concluiu.

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