O relatório do CISLAMO resulta de uma auscultação nacional que envolveu líderes religiosos, académicos, empresários, mulheres, jovens, entre outros actores da comunidade islâmica através de encontros presenciais, consultas virtuais e questionários online divididos pelas zonas Sul, Centro e Norte do país.
Representando cerca de 20% da população moçambicana, os muçulmanos enfatizaram que a sua participação não é uma concessão, mas sim um direito fundamental. O representante do CISLAMO, Sheikh Daúde Ibramogy, apresentando as contribuições, apontou o que considera falhas na laicidade do Estado moçambicano.
“Infelizmente, ainda não nos sentimos totalmente incluídos, porque os pontos que sempre levantamos, não estão a ser acatados e não estão a ser acolhidos, e isso preocupa-nos bastante”, disse o Sheikh.
Entre as principais preocupações apresentadas no documento, destacam-se denúncias sobre a violação da liberdade religiosa e constrangimentos institucionais quotidianos.
Sheikh Daúde Ibramogy reclamou a obrigatoriedade de mulheres muçulmanas removerem o lenço na emissão de Bilhetes de Identidade e nas demais instituições públicas. Falou também da legalização da poligamia.
O pacote de propostas do CISLAMO abrange ainda reformas estruturais nos sectores constitucionais, políticos, eleitoral, económico, administração pública, educação, saúde, cidadania, liberdade religiosa, entre outras áreas.
Na vertente socioeconómica, o CISLAMO propõe a introdução da Banca Islâmica e de linhas de microcrédito sem juros, lembrando que, sendo Moçambique membro da Organização de Cooperação Islâmica, “não faz muito sentido que o próprio membro não esteja a dirigir a outros benefícios da organização”.
Por sua vez, o presidente da COTE, Edson Macuácua, enalteceu o empenho do Conselho Islâmico na construção do debate nacional, assegurando que o Estado assume estas contribuições como fundamentais para o enriquecimento do processo e reafirmou o compromisso com a laicidade e o pluralismo.
O presidente da COTE defendeu que a riqueza de Moçambique reside na sua pluralidade e que o contributo da comunidade muçulmana é indispensável para consolidar uma sociedade assente na igualdade e no respeito mútuo.
“Vamos tomar em consideração, vamos valorizar estas estas contribuições que reflectem uma parte da sociedade moçambicana que é a comunidade islâmica de Moçambique, que é uma comunidade histórica, social e religiosa muito importante”, apontou.
Por fim a COTE reiterou o convite para que o Conselho Islâmico continue a trabalhar lado a lado com a comissão técnica na próxima fase de aproximação de ideias e consolidação do roteiro final da reconciliação nacional.

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