No comunicado que o Espaço Islâmico teve acesso, a organização manifesta preocupação relativamente ao conteúdo das imagens publicadas.

Segundo a CIL, foram observados comportamentos no interior do local sagrado que configuram “o desrespeito pelos tapetes utilizados para a oração e pelo exemplar do Alcorão, bem como determinadas afirmações dirigidas à religião islâmica e à comunidade muçulmana”.

Apesar da gravidade apontada aos factos, a direcção da Comunidade Islâmica de Lisboa sublinha que não pretende assumir o papel dos tribunais ou da polícia, submetendo a avaliação do caso à justiça.

“Não pretendemos substituir-nos às autoridades nem antecipar qualquer conclusão sobre a eventual responsabilidade jurídica dos intervenientes. Cabe às entidades competentes apreciar os factos e determinar, nos termos da lei, se existe alguma infracção ou outra matéria que deva ser considerada”, refere a nota.

No documento, a CIL reafirma a sua posição de forma clara e contida, defendendo que a prática religiosa não constitui perigo para a sociedade.

“A nossa posição é simples: Uma sala de oração não é uma ameaça. Um cidadão muçulmano que reza não é uma ameaça. Um exemplar do Alcorão não é uma ameaça”, sublinha a instituição.

A entidade ressalva ainda que quaisquer dúvidas sobre licenciamento, enquadramento urbanístico ou legalidade de um espaço de culto devem seguir estritamente as vias institucionais e jurídicas, repudiando o uso de provações ou estratégias de exposição mediática.

“Questões relacionadas com a eventual legalidade ou enquadramento de um espaço devem ser tratadas pelas entidades competentes e através dos mecanismos previstos na lei. Não podem servir de pretexto para provocar, humilhar ou criar hostilidade contra uma comunidade religiosa”, salienta o comunicado.

A fechar a tomada de posição, a Comunidade Islâmica de Lisboa assegura que continuará a defender o direito dos muçulmanos à liberdade religiosa, à dignidade e à igualdade, sempre dentro dos princípios do Estado de direito e através das instituições da República Portuguesa, vincando que não responderá a provocações com violência ou retaliação. (Ekibal Seda)