“Quando preparas um homem, estás a preparar apenas um homem. Quando preparas uma mulher, estás a preparar uma nação inteira”, afirmou a teóloga, destacando que o colo materno é, por excelência, a primeira escola de qualquer cidadão.

Para fundamentar a importância espiritual e social da mulher, a Apa recordou que o Qur’án, o guia sagrado dos muçulmanos, dedica um dos seus 114 capítulos a Maria (Maryam), a mãe de Jesus, elevando-a como um exemplo de virtude.

Além disso, a teóloga trouxe à memória o legado das esposas do Profeta Muhammad (SAW), como Khadija (RTA), que foi o suporte fundamental para o início da missão profética, e Aisha (RTA), responsável por narrar e preservar grande parte dos ensinamentos da religião.

“Isto é para a gente perceber que a mulher tem um papel fundamental. Ela ajuda a educar, orientar, formar e aconselhar; ela serve de suporte não só para a sociedade, como também para o parceiro que está ao seu lado”, explicou.

Um dos pontos altos do debate foi o esclarecimento sobre a frequência feminina nas mesquitas. A teóloga explicou que, ao contrário do que muitas vezes se interpreta, a ausência de obrigatoriedade para a mulher frequentar as cinco orações diárias na mesquita não é uma forma de exclusão, mas sim de facilitação e protecção.

“Não foi tornado obrigatório para não dificultar a vida da própria mulher e para facilitar o seu espaço”, esclareceu. Segundo ela, dada a natureza das orações islâmicas, que ocorrem desde a madrugada até à noite, a flexibilidade permite que a mulher exerça a sua fé no recôndito do seu lar com a mesma validade espiritual.

“O melhor lugar para que uma mulher possa fazer as suas orações é dentro da sua casa, onde ela está mais protegida”, reiterou.

Ao concluir a sua intervenção, Apa Suleikah reforçou que a religião islâmica oferece à mulher uma posição de dignidade e um campo de actuação vasto, que começa no lar e se estende a toda a comunidade através da educação e da orientação moral.

A sua participação no debate serviu para clarificar que, no Isslam, o papel da mulher é o de guia e educadora de gerações, sendo impossível dissociar o progresso de uma sociedade da valorização do papel feminino.