Num discurso perante membros do Governo, líderes religiosos, académicos, profissionais de saúde e empresários, Feizal Sidat sublinhou que a humanidade atravessa, talvez, a maior transformação tecnológica desde a criação da internet.

“A inteligência artificial é a responsabilidade de toda a sociedade. A Inteligência Artificial já não pertence ao futuro. Ela pertence ao presente”, afirmou Sidat, lembrando que esta tecnologia já domina sectores vitais como os hospitais, a agricultura, os bancos, a educação e a administração pública.

Segundo o presidente, o desafio actual deixou de ser se devemos ou não conviver com a IA, mas sim ditar os moldes dessa convivência.

“Quem irá defini-la? Quem irá utilizá-la? Quem irá regulá-la? Quem irá garantir que permaneça ao serviço da humanidade e não o contrário?”, questionou, enfatizando que as revoluções tecnológicas, por serem agora muito mais aceleradas, vão inevitavelmente alterar o mercado de trabalho e exigir novas competências dos jovens na próxima década.

Desmistificando qualquer narrativa de incompatibilidade entre a religião e o progresso científico, Feizal Sidat foi categórico ao afirmar que a fé e o conhecimento não competem, mas complementam-se. Para ilustrar o argumento, recordou que o Isslam nunca foi uma religião de atraso, sublinhando que a primeira palavra revelada ao Profeta Muhammad foi Iqra (Lê).

“Nenhuma civilização se constrói sem conhecimento. Nenhuma comunidade evolui sem educação. A tecnologia não é intrinsecamente boa ou má, o seu valor é definido pela intenção de quem a utiliza”, defendeu.

Da mesma forma que a internet pode aproximar famílias ou espalhar mentiras, a IA pode edificar conhecimento ou ser usada para “manipular informação, criar notícias falsas, invadir privacidade, reforçar preconceitos ou enfraquecer valores morais.”

Segundo ele, é por isso que a conferência propõe uma discussão que transcende a tecnologia, abraçando pilares éticos, humanos e espirituais.

No encerramento da sua intervenção de abertura, Feizal Sidat expressou o desejo de que “esta conferência seja o início de um movimento nacional”

O evento, que junta especialistas de diversas áreas para debater o futuro da tecnologia à luz da ética islâmica, conta ainda com a presença de convidados internacionais, incluindo uma delegação do Brasil que inspirou a realização desta iniciativa em território nacional.