O Vice-Reitor da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Mohsin Sidat, defendeu a urgência de resgatar o gosto pela literatura como pilar fundamental do desenvolvimento humano, para o cultivo da empatia e o bem-estar mental, assim como físico.  A intervir na abertura da Roda Literária Islâmica 2026, sublinhou a importância de promover eventos culturais, do género, que estimulem a reflexão numa era em que se perdem qualidades essenciais.

Ao iniciar o seu discurso, Mohsin Sidat saudou a iniciativa e transmitiu os cumprimentos do presidente da Comunidade Mahometana, Salim Omar, confessando a sua gratidão pelo convite. “Quero felicitar os organizadores deste evento. É a primeira vez que eu participo neste evento e quero dizer que estou muito bem impressionado”, confessou.

Na sua intervenção, o Vice-Reitor, socorreu-se da sua experiência clínica para explicar a razão pela qual as letras e as artes se enquadram no âmbito das humanidades e como estas dialogam com a própria ciência.

“Não é por acaso que a literatura se enquadra dentro das humanidades. É uma daquelas qualidades que é única dos seres humanos”, afirmou, fundamentando que a leitura permite a introspecção sobre a sociedade e o próprio indivíduo.

Na ocasião, Mohsin Sidat também lamentou o impacto do desenvolvimento tecnológico e o afastamento dos livros, alertando que “muitas daquelas qualidades humanas que nós consideramos humanas estão-se a perder”.

Para ilustrar o valor transformador do saber escrito ao longo da história, o académico citou o exemplo do filósofo e médico Avicena, lembrando o período em que este solicitou apenas o acesso à biblioteca real e um subsídio de sobrevivência em troca da cura de um monarca.

“Só para mostrar o valor que Avicena dava à sabedoria”, pontuou Sidat, enquadrando o feito na idade de ouro do Isslam. Para além do domínio da linguagem e da capacidade de redacção, o Vice-Reitor enfatizou os benefícios práticos da leitura no equilíbrio emocional e na saúde em geral.

“Ler faz bem à nossa saúde mental (...) ler, poesia, arte, todo o tipo de ciências humanas, também fazem bem à nossa saúde física, à nossa saúde social”, explicou, notando que o acto de sentar e ler concentradamente constitui “um exercício de paciência.