Proibindo o Isslam a prática de jogos, qualquer que seja a sua forma, é de estranhar que o sistema ocidental capitalista proíba por lei os jogos de azar em muitos locais. Porém, se tomarem uma forma sofisticada como o são as rifas, as lotarias e os casinos, aí a sua prática já não atenta contra a lei.

Por exemplo, se um pobre promover a prática de jogos de azar na via pública, (xadrez, damas, n’tchuva ou  muravara a dinheiro), a polícia prendê-lo-á, mas se alguém construir uma casa com um nome pomposo e  dentro dela promover jogos, já se torna legal. Nos dias que correm, aqui em Moçambique já temos os chamados jogos digitais, acessíveis tanto a miúdos como a graúdos e não só.

A sua propaganda é tão impetuosa que penetra sem ser convidada no telemóvel do mais comum dos cidadãos, e qualquer garoto que tenha um telemóvel, facilmente consegue entrar na plataforma de tais jogos.

Quem ignora que os jogos de azar causam prejuízos, levam à falência os seus praticantes e por consequência arruínam muitos lares?

Mesmo na nossa praça, jogadores há que entraram em falência e hipotecaram os seus bens incluindo as casas onde se abrigavam as suas famílias. E é por isso que o Isslam considera os jogos de azar, haraam.

Proíbe igualmente o monopólio e a acumulação de riquezas sem que se observem as obrigações religiosas como o Zakát e outras obrigações monetárias.

O Profeta Muhammad (S.A.W.) proibiu que o citadino venda os produtos do aldeão, i. é, se um aldeão se dirigir à uma povoação para vender a sua mercadoria, nenhum residente dessa povoação pode chamar a si o direito de tomar sob qualquer forma essa mercadoria, encarregando-se da sua venda.

Aparentemente não há mal nenhum nisso por ser com consentimento de ambos. Porém, a proibição pretende prevenir o açambarcamento com a intenção deliberada de vender apenas quando os preços no mercado subirem.

Portanto, isso contribuirá para o encarecimento geral. Em contrapartida, quando o aldeão vender o seu produto na cidade sem intermediários, claro que não venderá com prejuízo, mas quererá vender o mais depressa possível para regressar à casa, e assim fixar-se-á o preço através da verdadeira procura e oferta. Mas se houver um intermediário exclusivo, ele não deixará que as forças da procura e oferta funcionem livremente, e aí os preços subirão em flexa.

Por isso o Isslam proibiu todos os meios que possam causar o encarecimento ou crise, sujeitando a sociedade a injustiças.

Há muitas coisas que, em termos religiosos, não sendo proibidas, a sua prática também não é imposta. Contudo, o Isslam recomenda a sua prática.

Foi já dito por diversas vezes que o Isslam não é apenas um sistema económico, mas sobretudo um código de vida completo, em que a primeira coisa que é ensinada é que o objectivo principal do Ser Humano deve ser a garantia do seu bem-estar no Mundo do Além.

O Isslam encoraja e estimula o benefício pessoal, mas este benefício não deve ser apenas mundano, pois deve-se também incluir necessariamente nos benefícios pessoais, e os benefícios e recompensas do Outro Mundo.

O Isslam diz que, se na prática de algo útil se receber pouco benefício ou lucro, no Outro Mundo a recompensa será maior.

Por exemplo, o Shariah recomenda que todo o Ser Humano que se dirija à praça para vender algo, ganhando assim o seu sustento de forma lícita, se fizer a intenção de que ao se dirigir à praça pretende satisfazer as necessidades materiais da sociedade, então devido à tal intenção, toda a sua movimentação física tornar-se-á uma prática de adoração, recebendo por isso no Outro Mundo a devida recompensa.

E quem assim pensar decerto optará por aquilo que religiosamente é benéfico e importante para a sociedade.

Por exemplo, se numa determinada zona as pessoas gostam muito de se divertir e dançar, segundo o princípio capitalista devem-se instalar discotecas por haver maior procura e, por conseguinte, ganhar-se á mais dinheiro. Porém, as restrições morais isslâmicas impedem a instalação de discotecas.

Um outro exemplo: se alguém achar que a instalação de uma fábrica num determinado local render-lhe-á muito dinheiro, porém na oportunidade o que mais falta faz são casas de habitação e assim, não obstante a ausência de grandes lucros optar pela construção de casas aliviando desse modo o desconforto de muitas famílias necessitadas, então, devido à prática de restrição moral, ele ganhará grandes recompensas no Outro Mundo.

A terceira restrição é de ordem judicial, isto é, o Isslam atribui a um governo isslâmico a prerrogativa de em qualquer momento, direccionar as suas acções no sentido de a sociedade viver de acordo com os ditames do Shariah, bem como decretar leis e impor restrições, o que deve ser respeitado por todos, sem excepção.

Deus ordena-nos no Qur’án que sejamos obedientes a Ele, ao Seu Mensageiro e aos governantes.   Os juristas defendem por exemplo, que se um governante decretar que as mulheres não podem usar perucas, então em termos isslâmicos o seu uso será proibido.

Portanto, foi dada essa opção ao governante, na condição de ele emitir tais decretos tendo em conta o bem-estar geral das pessoas.

Está ao critério do governo determinar o que é benéfico ou prejudicial para as pessoas, assim como determinar as áreas onde se devem investir as poupanças dos cidadãos, bem como traçar prioridades.

O governo pode decretar leis restritivas dentro dos limites do Shariah, pois as restrições também existem no sistema capitalista, com a diferença que no capitalismo as restrições são de origem humana, enquanto no Isslam tem origem na revelação divina.

Nas sociedades actuais existem dois tipos de comerciantes: os honestos e os perversos. O Profeta Muhammad (S.A.W.) diz que os comerciantes honestos estarão na companhia dos profetas e dos mártires.

O comércio, que muita gente pensa tratar-se de um assunto mundano que só serve para encher a barriga das pessoas não tendo nada a ver com a religião, é na verdade um assunto deveras importante, pois enganam-se os que assim pensam.

E é por isso que o Profeta diz também que os comerciantes serão ressuscitados na companhia dos perversos e pecadores, excepto os que em vida tenham sido piedosos e verazes.

Os comerciantes perversos são os que querem ganhar a todo o custo, não olhando a meios, mesmo que tenham que enganar, mentir e ludibriar.

Os comerciantes podem, se quiserem, através do comércio, ganhar o Paraíso, a companhia dos profetas, ou podem também ganhar o Inferno e a companhia dos pecadores.

E tal não acontece apenas no comércio, aliás em todas as coisas mundanas existem duas vertentes, e se o Ser Humano encarar o comércio num só prisma parecer-lhe-á tratar-se de um assunto meramente mundano, mas se encará-lo num outro prisma concluirá tratar-se de um assunto religioso.

Por exemplo, o comer, aparentemente parece tratar-se de um acto simples de matar a fome. Porém, se alguém ao comer fizer a intenção de estar cumprindo com o direito do seu corpo, e porque a comida é uma graça divina, devendo por isso mostrar gratidão a Deus, então o acto de comer também se pode transformar num acto religioso.

Portanto, a religião é na realidade um acto de mudança de ângulo de visão.

Por: Sheikh Aminuddin Mohamad