Com a nova faculdade a teologia islâmica conquista plena autonomia académica, o que inclui o poder de conceder doutorados, realizar qualificações de pós-doutorado e tomar decisões soberanas sobre currículos e nomeações de professores.

À frente deste projecto histórico está o reitor fundador Mouhanad Khorchide. Teólogo austríaco de origem palestina, Khorchide traz consigo uma trajectória marcada pela superação, tendo crescido em um campo de refugiados em Beirute antes de se consolidar na academia alemã.

Defensor de uma visão progressista, ele descreve a nova faculdade como “um sinal impressionante de reconhecimento para muitos muçulmanos na Alemanha”. Em sua visão, a instituição funcionará como um “farol para um Isslam esclarecido e cosmopolita”, desempenhando um papel crucial em debates sobre integração e prevenção do extremismo.

A faculdade será o ponto central do novo “Campus de Teologia e Estudos Religiosos”, onde o simbolismo da localização é evidente. É que Münster é a cidade onde foi assinada a Paz de Vestfália em 1648, encerrando conflitos religiosos históricos na Europa.

Além do rigor académico, a faculdade carrega uma missão social prática: formar imamos e líderes comunitários dentro da Alemanha, reduzindo a dependência de lideranças importadas do exterior.

As actividades académicas completas devem começar no semestre de inverno de 2026-27. Para os cerca de cinco milhões de muçulmanos no país, o novo corpo docente simboliza o momento em que o Estado alemão passa a tratar o Islão não como um objecto de estudo externo, mas como uma tradição teológica viva e integrada à infra-estrutura intelectual da nação.