O Sheikh Albachir Changuiyyo, de Pemba, trouxe esclarecimentos para desmistificar o cenário de pânico. Segundo o teólogo, não há evidências de desaparecimento físico total, mas sim de uma percepção de alteração temporária.

“Não confirmo que está a acontecer o desaparecimento misterioso de órgãos genitais em Cabo Delgado. Mas testemunho que há irmãos que viram a reduzir o nível do comprimento dos seus órgãos genitais, isto é o órgão baixa e de forma não habitual”, explicou, ressaltando que nenhum caso registado permaneceu com tal condição por mais de três dias.

Para o Sheikh, o fenómeno deve ser analisado à luz das escrituras, sugerindo que pode tratar-se de uma estratégia de desestabilização.

“Suspeito que seja magia de ilusão… o Alcorão e a Sunnah não confirmam que os jinnis têm o poder de remover os órgãos genitais de forma misteriosa. Perante esta situação, devemos recordar que o terror público, o medo e o pânico faz parte das artimanhas do Chaituan”, comentou.

Nesta mesma linha de orientação espiritual, o Sheikh Muhammad Tacuane alerta para o perigo de se substituir a confiança em Allah por superstições infundadas. Observando que muitos têm recorrido ao uso de alfinetes ou outros objectos como amuletos de protecção, ele reforça que a segurança real provém da pureza da fé.

“O uso de alfinetes não representa segurança real, mas sim a manifestação de um estado de medo. E o medo não se combate com objectos, mas sim com fé e consciência espiritual. O coração humano não encontra estabilidade verdadeira sem a sua ligação a Allah”, afirma, recordando que a dependência de objectos materiais fragiliza o equilíbrio emocional do indivíduo.

Do ponto de vista social e psicológico, o analista Ismael Xicamane convida a uma reflexão sobre o trauma colectivo que a província já carrega devido ao terrorismo e desastres naturais. Ele aponta que a ausência de registos médicos oficiais sugere que o fenómeno se enquadra em episódios de histeria colectiva.

“Este tipo de narrativa enquadra-se frequentemente em episódios de histeria colectiva ou pânico social, onde crenças culturais, desinformação e medo se combinam para criar percepções distorcidas da realidade”, alerta Xicamane, sublinhando que a população, já sensibilizada pela violência, torna-se um campo fértil para boatos que podem levar a agressões injustas contra inocentes.

Face a este cenário, a orientação para a Ummah é clara. Manter a calma e a vigilância espiritual. O Sheikh Albachir Changuiyyo aconselha vivamente os irmãos a “evitar do tudo que pode levar a prática do shirk, como o uso de alfinetes ou vacinas tradicionais”, além de exortar a que se evite “expandir informações não credíveis” ou recorrer à violência.

A recomendação final é o retorno à oração e à confiança absoluta no Criador, lembrando que o pânico é uma ferramenta usada para dividir e enfraquecer a comunidade.