A palestra, fundamentada no capítulo do Sagrado Alcorão An-Nisa (A Mulher), serviu como um apelo ao resgate da dignidade e dos direitos das mulheres, contrastando a visão islâmica com o tratamento dado a elas em civilizações passadas e na actualidade.

O Sheikh iniciou contextualizando o motivo da escolha do tema, afirmando que “estamos a conviver no nosso dia-a-dia aquilo que é a degradação e o valor e o estatuto social que o Isslam atribuiu à mulher”.

Para fundamentar a importância da mulher, Sheikh Mussa Suefe recorreu a uma metáfora, sublinhando que “a mulher é uma escola, se esta escola estiver bem preparada, na verdade, uma nação inteira estará preparada”.

Segundo o líder religioso, esta “escola” é o pilar para a formação de uma sociedade ética e sólida. Ao traçar um panorama histórico, o orador descreveu o cenário sombrio das civilizações Romana, Grega e, sobretudo, da Arábia Pré-Islâmica, onde o nascimento de uma menina era visto como um fardo ou motivo de vergonha.

“Quando o árabe recebia a notícia do nascimento de uma menina, a sua cara ficava preta, ficava escura… ele ficava muito angustiado”, explicou o Sheikh, recordando que o Isslam foi a força transformadora que proibiu o infanticídio feminino e estabeleceu direitos sucessórios e de decisão que antes eram inexistentes.

“O Isslam veio e eliminou todos esses pensamentos, trouxe um capítulo completo que trata sobre a mulher, que fala sobre seus direitos como esposa e como mãe”, reforçou. No que toca à participação activa na sociedade, o Sheikh Mussa Suefe refutou a ideia de que o Isslam confina a mulher à escuridão, citando a busca pelo conhecimento como um dever sagrado.

“O Isslam, cientificamente, está no auge porque a sua história e os seus Hadiths foram preservados por uma mulher chamada Aisha”, disse, questionando se as restrições impostas hoje em dia não advêm mais de um “machismo” individual do que dos preceitos religiosos.

Ele defendeu ainda o empoderamento económico, lembrando que o Profeta Muhammad (SAW) foi casado com Khadija (RA), uma empresária de renome, concluindo que “o Isslam deu o estatuto de empoderamento financeiro e económico à mulher”.

No encerramento da palestra, o Sheikh abordou a crise moral contemporânea, atribuindo a responsabilidade da degradação da imagem feminina não à religião, mas a influências externas e escolhas individuais.

“O culpado não é o Isslam, não é o marido… é a própria mulher que aceitou ser levada pela onda de orientalistas e pela onda do ocidente”, afirmou, referindo-se à exposição imoral em publicidades e ao uso de vestimentas que não respeitam o pudor islâmico.

A mensagem final foi um apelo aos homens para que não se cansem de educar e proteger o estatuto das suas familiares, recordando que a educação exemplar das filhas é, segundo a tradição profética, a chave para o Paraíso.