Sheikh Aminuddin Mohammad defende criação de orfanatos islâmicos em Moçambique
Durante a sua participação no programa de Eid com crianças órfãs da Cidade e Província de Maputo, promovido pela Organização Al-Hikmah, o Sheikh Aminuddin Mohammad aproveitou a ocasião para lançar um apelo urgente à comunidade muçulmana, instando os cidadãos a assumirem uma responsabilidade colectiva na protecção, educação e sustento dos menores vulneráveis.
O Sheikh clarificou que, segundo a jurisprudência islâmica, a condição de órfão cessa na puberdade, tratando-se, por isso, de uma fase de vida muito crítica e que exige um cuidado permanente que vai além de eventos esporádicos.
Ao analisar a realidade do país, o orador explicou que, na ausência de um Governo Islâmico para assumir o sustento dos órfãos sem recursos financeiros, essa obrigação recai directamente sobre a comunidade local.
“Nós, muçulmanos, infelizmente não temos, por exemplo, nem um orfanato em Moçambique, que é a nossa obrigação. Nós devíamos ter um orfanato islâmico, especialmente para cuidar das crianças muçulmanas. Estamos muito atrasados, não só nisto, mas noutros aspectos sociais também”, desabafou.
Apesar de defender que o modelo ideal no Isslam passa pelo acolhimento directo dos menores no seio de famílias substitutas, para suprir a falta de afecto e carinho com o calor de um lar, o Sheikh reconheceu que a criação de instituições e o apadrinhamento financeiro dos estudos são passos intermédios fundamentais.
Para o líder religioso, a prática da fé não pode ser individualista ou desligada do bem-estar social, afirmando que “Isslam é uma religião social, de solidariedade e colectiva”, onde a devoção espiritual perde o valor se o crente demonstrar indiferença perante o sofrimento do próximo.
A fechar a sua intervenção, o Sheikh Aminuddin Mohammad elogiou publicamente o esforço do Sheikh Mussagy A. Rahman e a Al-Hikmah, considerando a iniciativa como um ponto de partida crucial para sensibilizar os empresários e cidadãos com posses.
O orador manifestou a esperança de que, de forma progressiva e com o apoio de todos, este projecto consiga angariar um espaço próprio e evoluir para a edificação do tão necessário orfanato de raiz em Moçambique, corrigindo também falhas de modelos de assistência do passado.
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