A competição terminou com um pódio composto por Atibo Issufo em primeiro lugar, seguido por Limanela na segunda posição e Hamza Noor em terceiro lugar, numa cerimónia acompanhada pela entrega de certificados e lembranças aos finalistas.

Mais do que uma competição, a iniciativa serviu de plataforma para uma reflexão sobre o aperfeiçoamento da pronúncia e a dignificação da figura do muadhin na comunidade.

A organização e os jurados enfatizaram que o Adhan carrega uma mensagem central de fé e exige um rigor técnico absoluto.

“O Adhan não é só um chamamento. Ele carrega uma mensagem muito forte, é com ele que se ergue o Tawhid. Logo no início, quando nós ouvimos ‘Allahu akbar’, só isto basta, Allah é maior”, destacou um dos membros do júri durante a fundamentação dos critérios de avaliação.

A comissão técnica alertou para os erros frequentes de articulação e pronúncia do árabe clássico, frisando que pequenas incorrecções fonéticas alteram drasticamente o significado do texto sagrado.

“A pronúncia árabe não só muda o conteúdo, mas sim o significado daquilo que é o pretendido no Adhan, explicou o júri, acrescentando que os concorrentes foram avaliados com base na correcção fonética, no controlo de voz, no ritmo, no respeito pelas regras de tajweed e no domínio das escalas vocais conhecidas por maqamat.

Durante o evento, os organizadores defenderam que o formato do certame deve evoluir nos próximos anos para workshops e formações contínuas.

O encontro ficou também marcado por um apelo à consciencialização sobre as condições sociais e materiais dos trabalhadores das mesquitas. A organização criticou a desvalorização frequente de que os muadhins são alvo por parte da sociedade e dos gestores dos locais de culto.

“Se você é dono da mesquita e não valoriza o mu’adhin, há-de ver um cristão ou um hindu valorizar? Vocês, donos das mesquitas, estão dias após dias a hostilizar os muadhins. Há-de chegar uma altura em que não vão encontrar ninguém”, alertou a organização.