A decorrer sob o tema “A Fé como Alicerce da Fraternidade, Solidariedade e Paz: Resposta aos Desastres Naturais e Outras Crises”, o encontro serviu de palco para o líder muçulmano propor uma mudança na forma de olhar para o lema do evento.

Para o Sheikh, sem estabilidade no país e no coração de cada cidadão, torna-se impossível construir uma sociedade verdadeiramente solidária.

“Em termos de prioridade, acho que devia ser a paz como alicerce da fraternidade, da solidariedade e da fé. Porque sem paz, ninguém consegue pôr em prática a fraternidade, a solidariedade nem a própria fé. Por isso, a paz tem de vir em primeiro lugar”, sublinhou.

Durante a sua intervenção, o líder religioso sublinhou que a convivência pacífica e o respeito pela diferença são deveres de todos os cidadãos, independentemente da religião que professam.

“Nós, como moçambicanos, temos a obrigação de combater qualquer pessoa que tente colocar em causa a nossa paz. Mas não temos o direito de combater quem professa uma fé diferente da nossa. Na religião islâmica, um dos atributos de Deus significa Paz. Dizer a paz em primeiro lugar é o mesmo que dizer Deus em primeiro lugar.”, explicou.

O Sheikh Umar Aiuba chamou também a atenção para a necessidade de harmonia e sinceridade no dia-a-dia, lembrando que o amor ao próximo deve começar nas pequenas atitudes do quotidiano e no respeito pela humanidade que une todos os moçambicanos.

“Nenhuma religião deve estar acima da paz. Antes da nossa religião ou do nosso nome, nós somos seres humanos. Quando uma pessoa não tem paz por dentro, jamais conseguirá ser fraterna ou solidária com o seu vizinho. Precisamos de buscar a paz dentro de nós mesmos para podermos construir o Moçambique que todos desejamos”, apontou.

A IX Conferência Nacional Religiosa reuniu líderes de várias confissões e representantes da sociedade civil para debater a contribuição das igrejas e comunidades religiosas na prevenção de conflitos, apoio em momentos de calamidades naturais e fortalecimento do espírito de união nacional.