Durante a palestra, que teve como tema, “o papel socioeconómico do Zakat”, o Sheikh criticou o facto de a comunidade ter estruturas bem organizadas para assuntos halál ou para lua, mas continuar sem uma organização forte para gerir os valores do Zakat.
“Porque é que até hoje não temos nenhuma instituição nacional do Zakat, quando conseguimos ter comissões de Halál e comissões da Lua? É preciso preparar pessoas que saibam identificar os verdadeiros necessitados e onde eles estão”, sugeriu.
O líder religioso explicou que tratar o Zakat como uma conta individual feita no fim do ano tira a força a este pilar do Isslam. Para o Sheikh, a entrega do Zakat não é um favor nem um acto de pena, mas sim um direito de quem passa necessidades.
“O Zakat não é esmola, é um direito do necessitado. Quando entregas o teu Zakat, não estás a fazer nenhum favor, ele é que te faz o favor de o receber”, lembrou.
O Sheikh Saide Habibo destacou ainda que uma organização nacional permitiria usar o dinheiro para criar oportunidades reais, como pagar estudos ou ajudar as pessoas a criarem os seus próprios negócios, em vez de dar apenas comida para o dia-a-dia.
“O Zakat tem de deixar de ser uma cultura de entrega de comida para passar a ser uma cultura de transformação. É preciso dar o anzol e não apenas o peixe. No Isslam, ninguém nasce para ser eternamente pobre e receber ajuda, o objectivo é ajudar a pessoa hoje para que amanhã ela própria possa ajudar outros”, enfatizou.
Ao fundamentar o apelo num dito profético que elenca os cinco pilares sobre os quais o Isslam foi edificado, e no versículo 60 do capítulo 9 no Alcorão, o líder religioso lembrou que o Zakat possui dimensão colectiva e regras jurídicas precisas, não podendo ser instrumentalizado como ferramenta de pressão ideológica.
A criação de um organismo nacional com dados mapeados e critérios transparentes é, na visão do Sheikh, o único caminho para assegurar que a riqueza circule, cumpra a sua função de purificação e devolva a dignidade aos cidadãos. (Ekibal Seda)

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