Segundo o Sheikh Daúde Ibramogy, esta prática, embora muitas vezes feita com a intenção de não omitir o dever religioso, é “juridicamente grave e espiritualmente nociva”.
Durante a sua intervenção, o Sheikh fundamentou a obrigatoriedade do cumprimento dos horários com base no Alcorão, citando que “a oração é uma obrigação prescrita aos crentes em tempos determinados”.
Ele explicou que a palavra árabe mawqutan estabelece que cada oração possui um tempo fixado e que realizar a Sualat deliberadamente fora desse período é uma violação directa da ordem divina.
Sheikh Daúde alertou ainda para as advertências corânicas contra a negligência, destacando que Allah condena aqueles que atrasam as orações para fora dos seus tempos habituais.
No campo dos ensinamentos proféticos, o Sheikh recordou que, quando questionado sobre a acção mais amada por Allah, o Profeta Muhammad (SAW) respondeu “a oração no seu tempo”.
O palestrante sublinhou que esta obrigação não tem distinção de sexo e que a única justificativa islâmica para o atraso seria o sono genuíno ou o esquecimento involuntário. “Quem adia por comodidade, ocupação com trabalho doméstico, ou simplesmente por hábito, não tem a protecção desta excepção”, afirmou, reforçando que a oração será a primeira conta a ser ajustada no Dia do Juízo.
Ao analisar a posição das quatro principais escolas de jurisprudência islâmica (Hanafi, Maliki, Shafi’i e Hanbali), a palestra destacou a unanimidade dos imames, que é de realizar o Sualat fora do tempo sem causa legítima é considerado haram (proibido) e um pecado grave.
Na escola Maliki, por exemplo, o atraso sistemático e deliberado pode levar o praticante a ser considerado um fāsiq (transgressor). O Sheikh esclareceu que tarefas domésticas, trabalho ou cuidado com os filhos em condições normais não são justificativas válidas para o adiamento sistemático.
Para além das implicações jurídicas, o sheikh focou-se nos prejuízos espirituais e familiares. Argumentou que a Salat é o “cordão umbilical” entre o crente e o Criador e que, ao acumular as orações, perde-se a protecção espiritual ao longo do dia, tornando o coração mais vulnerável ao pecado. No contexto familiar, alertou que as mães que atrasam a oração transmitem aos filhos a ideia de que o pilar da fé é “negociável”.
Em contrapartida, uma mãe que interrompe as suas actividades para orar no tempo certo deixa um legado de fé inestimável.
A palestra concluiu com um apelo ao amor e à consciência, reforçando que a oração deve ser “estabelecida” de forma sólida e regular, e não apenas “recuperada” apressadamente.
O Sheikh exortou as mulheres a integrarem a oração na vida quotidiana, em vez de a colocarem no fim dela, pedindo a Allah que ajude a comunidade a preservar este valor para as gerações futuras.

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