O Profeta Muhammad (S.A.W.) estabeleceu as bases para uma sociedade segura, solidária, feliz e harmoniosa, sociedade na qual as pessoas se amam umas às outras. Dirigindo-se-nos, ele disse de forma muito clara: “Nenhum de vós será considerado crente enquanto não desejar para o seu irmão o que desejaria para si mesmo”.
Portanto, ele diz que não ser verdadeiro crente, ou então a sua fé é duvidosa, todo aquele que não se guiar por este princípio.
Imagine-se quão belo seria o Mundo se cada membro da sociedade desejasse para o seu irmão o mesmo que deseja a si próprio! Infelizmente todos gostamos do que é bom só para nós e para as nossas vidas. Não só não partilhamos o que o Criador generosamente colocou à nossa disposição, como até não partilhamos as imensas riquezas colectivas que por direito pertencem a todos.
Se desejássemos que os outros também tivessem as coisas boas de que gostamos, ou desejando, não nos ficássemos apenas na intenção, mas avançássemos na aplicação prática dessa intenção e a transformássemos numa realidade na vida das pessoas, imagine-se quão boa seria a situação desta nossa sociedade. Imagine-se uma situação em que o egoísmo é erradicado e cada um concede primazia ao seu próximo!
O egoísmo é um grande mal em todas as sociedades. Se o conseguirmos eliminar, criando espaço para que os outros tenham também as mesmas oportunidades que nós, para assim alcançarem o que nós já alcançamos, então isso nos conduzirá a uma vida social saudável, solidária, unida e harmoniosa.
O Profeta (S.A.W.) adverte-nos também para não nos deixarmos resvalar para a injustiça, pois esta constitui o grau mais aviltante do egoísmo, em que a pessoa edifica o seu ganho à custa da arbitrariedade cometida contra os outros, e procura ser feliz oprimindo o seu próximo.
A opressão é diametralmente oposta ao amor. É como retirar o direito a outrem. Já amar, é dar, é doar. Podemos imaginar uma sociedade em que reina a opressão e a injustiça, como ela se despedaça ficando sem sossego e tranquilidade.
Para termos uma sociedade feliz não só devemos gostar para os outros o que gostamos para nós, mas também devemos apoiar os fracos e condoermo-nos deles, respeitar os mais velhos, acarinhar os mais novos, pois o Profeta Muhammad (S.A.W.) diz: “Deus não terá misericórdia daquele que não tiver misericórdia para com os outros”.
E disse também: “Não é de entre nós (não pertence a nós) quem não tem pena dos mais novos do grupo a que pertencemos, e não respeita os mais velhos de entre nós”.
Infelizmente, ao contrário disso, notamos hoje nas nossas sociedades fenómenos negativos. Vemos os mais velhos a não se apiedarem dos mais novos, e os mais novos a desrespeitarem os mais velhos, e até mesmo alguns a agredirem fisicamente os próprios pais.
E se de entre os mais novos há alguns “menos maus”, esses internam os seus pais em asilos e lares de idosos, relegando-os ao esquecimento, só se lembrando deles em ocasiões especiais. Esses, esquecem-se que Deus ordena-nos a sermos bondosos para com os nossos pais, tratando-os com benevolência, abstendo-nos de cometer opressão contra eles, e orando sempre a seu sempre favor. O Qur’án contém um bonito versículo, que é uma prece a favor dos pais, traduzido nas seguintes palavras:
“Senhor meu! Tenha misericórdia deles (dos maus pais), assim como eles a tiveram de mim, criando-me desde pequenino”.
A religião recomenda que as vidas das pessoas se baseiem no amor, na misericórdia, no perdão, no respeito mútuo. Recomenda que tratemos as pessoas de acordo com o grau de cada uma. Os idosos em particular, precisam de uma atenção especial da nossa parte.
E o Profeta (S.A.W.) diz: “Não são crentes os que faltam ao respeito aos mais velhos”.
Para se criar uma sociedade feliz é necessário também que os seus membros se saúdem uns aos outros, se visite os doentes, se trate bem os vizinhos, se demonstre espírito de generosidade e perdão, se controle a ira, se alimente os necessitados, e sobretudo se evite tudo o que seja proibido.
Se alguém nos fizer mal é recomendável que nos mantenhamos serenos e calados, pois o silêncio é a melhor forma de manifestarmos a nossa rejeição a tais actos. Se alguém nos fizer bem, não nos devemos esquecer, mas caso sejamos nós a fazer bem ao próximo, é desejável que nunca lhe lembremos tal bem que algum dia lhe fizemos.
Para terminar, estando os muçulmanos em período festivo associado à Peregrinação à Makkah, desejo a todos um EID-UL-AD’HA MUBARAK!
Por: Sheikh Aminuddin Mohamad


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