Todo o Homem que seja são, gosta de boas coisas e esforça-se no bem e nas boas acções. Mas para que as boas acções que os pais praticam sejam um legado aos filhos, é importante que se comece pelo nome a atribuir aos nossos recém-nascidos. Este é um assunto que o Profeta Muhammad (S.A.W.) sempre enfatizou. Ele sempre recomendou que se atribuam bons nomes aos filhos, proibindo que se lhes dêem maus nomes. Tamanha era a importância com que encarava o assunto, que quando ele perguntasse o nome de alguém, se a resposta correspondesse a um bom nome, ele sorria e ficava radiante, mas quando fosse um mau nome, notava-se-lhe o desagrado no semblante, o que o levava a substituir maus, por bons nomes, isto para prevenir que a vida da pessoa em causa ficasse afectada, pois da mesma maneira que os bons nomes têm um bom efeito na vida da pessoa, os maus nomes também têm efeitos nefastos. Deus honrou-nos com enormes graças, constando de entre elas, os filhos. E uma das formas de valorizar essa graça é atribuir-lhes bons nomes, nomes em que se manifesta a gratidão ao Criador, nomes que no futuro sejam benéficos na personalidade da criança. O Profeta Muhammad (S.A.W.) disse: “No Dia da Ressurreição vós sereis chamados pelos vossos nomes e pelos nomes dos vossos pais. Portanto, dêem bons nomes aos vossos filhos”. (Abu Daud) Nomes que sugiram violência ou algo mau, são desaconselháveis, recomendando-se que se atribuam nomes dos profetas ou de personalidades piedosas e virtuosas, pois isso liga a criança aos bons exemplos. À luz das orientações do Profeta (S.A.W.), antes de atribuirmos um nome a um bebé, devemos analisá-lo. Se nós também damos importância e gostamos de bons nomes, que tenham bons significados tanto em árabe como na nossa língua local / materna, não faz sentido que por mera imitação atribuamos aos nossos filhos quaisquer nomes, só porque soam bem ou são “chiques”. É claro que um bebé recém-nascido não consegue escolher um nome para si mesmo, pelo que se torna obrigatório aos seus pais ou familiares proporem bons nomes, com bons significados, e fáceis de pronunciar. Em alguns meios, há quem tenha o detestável hábito, ligado a tradições e costumes abomináveis, de consultar curandeiros que sugerem nomes, para supostamente afastarem maus agouros, sem se preocupar se os nomes sugeridos são bons ou não. Infelizmente há também entre nós uma prática muito comum, de abreviar nomes que já de si são bons, muitas vezes subvertendo o seu sentido ou significado. Por exemplo, um nome tão belo como o de Fátima, filha querida do Profeta, passa para Faty, Fató, Fatucha, Fatinha, Fatiminha, etc. Ao nome Abdul alteram para Dudu, Dul, Dulinho, etc., Liaqat passa para Lia, Qat, Qatinho, etc. Alteram nomes como Iqbal para Bal ou Bala, Issmail para Maela ou Mailito, Mahmud para Mud ou Muda, Abubacr para Abacar ou Bacar, etc., etc., etc. Consta no Qur`án, Cap. 49, Vers. 11: “E não chamei uns aos outros com alcunhas (nomes maus, ofensivos). Péssimo é o nome de má conotação, após (o crente ter aceite) a crença”. Um nome é uma responsabilidade, e por sermos muçulmanos devemos chamar um ao outro com bons nomes, pois o Profeta Muhammad (S.A.W.) disse: “Muçulmano bom é aquele de cuja língua e mãos os outros muçulmanos estão a salvo”. Nas nossas sociedades há também os supersticiosos, os que atribuem aos seus filhos nomes com base em crenças ligadas à astrologia, consultando e seguindo para o efeito as orientações de astrólogos. Para muitos desses cultores de astrologia o seu dia-a-dia passa pela consulta de jornais, revistas ou páginas de redes sociais para saberem o que o signo lhes reserva e recomenda. Os muçulmanos devem abster-se deste tipo de práticas, por atentarem contra a sua crença e princípios religiosos. Devem atribuir aos seus bebés, nomes bonitos e não com significados que mais tarde os sujeitem à zombaria ou à alguma forma de “bullying”. Se os nomes forem de origem árabe, devemos pronunciá-los correctamente, assim como se pronunciam em árabe clássico. Dar um bom nome ao filho/a é das primeiras responsabilidades dos progenitores, o que tem uma enorme importância na vida em geral. Saibamos que ter um bom nome é um direito do filho/a sobre os pais, pois o nome é das coisas que vai acompanhá-lo para sempre, até à eternidade. O nome influencia a personalidade e a autoestima, pois confere dignidade. Um nome com mau significado é susceptível de causar escárnio, o que por sua vez pode favorecer a ocorrência de desequilíbrios emocionais. A pessoa acaba “vivendo” o significado do nome que lhe é atribuído, que é uma identidade e também um “duã” (prece) contínuo. Evitemos nomes que possam causar “bullying”. Pensemos na escola onde o nosso filho/a irá durante muitos anos passar a maior parte do dia, e onde um nome/apelido pode ser motivo de chacota pelos colegas. Dar um bom nome é misericórdia! Devemos igualmente evitar nomes difíceis ou de pronúncia estranha, nomes que muito poucos conseguem pronunciar correctamente, levando a que a criança com nome difícil passe a vida corrigindo a forma como o seu nome é pronunciado. Não devemos imitar nomes proibidos, de ídolos, ou de deuses de outras religiões, pois o nome é a “primeira roupa que os pais vestem ao seu filho/a”. Portanto, escolhamos uma “roupa” de que ele/a se possa orgulhar ao longo de toda a sua vida! Por: Sheikh Aminuddin Mohamad



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