A juventude é uma das fases mais cruciais da vida. É um período cheio de energia, descobertas e decisões que moldam o futuro. No Isslam, esta etapa é vista com uma atenção especial. Não por acaso, há a consciência de que, no Dia do Juízo Final, cada pessoa será questionada sobre como viveu a sua juventude. Isso mostra o quão esta fase deve ser valorizada e bem aproveitada, orientada para o bem, para o crescimento pessoal e para o desenvolvimento da sociedade no geral.
Em Moçambique, a juventude representa a maior parte da população, segundo os dados do último censo populacional realizado em 2017. Sendo esta camada a maioria no país e, consequentemente, uma grande parte da comunidade muçulmana, seria natural e expectável que os jovens fossem assíduos às mesquitas. Mas a realidade mostra algo diferente. E isso levanta uma questão inevitável: afinal, porquê é que os jovens não frequentam as mesquitas com a regularidade que se espera?
Para tentar compreender essa realidade, é preciso olhar como as mesquitas funcionam hoje e para aquilo que oferecem à juventude. Que programas existem direccionados aos jovens? Que iniciativas são criadas para responder aos desafios que eles enfrentam no dia-a-dia? São perguntas aparentemente simples, mas de difícil resposta.
Se olharmos para a história do Isslam, veremos que as mesquitas nunca foram apenas locais de oração. Antigamente, as mesquitas eram verdadeiros centros de aprendizagem e desenvolvimento. Era nelas que se aprendia não apenas sobre religião, mas também sobre ciência, matemática, literatura, ética, convivência social e até assuntos ligados ao comércio e à vida em comunidade.
A mesquita era um espaço vivo, dinâmico, onde o conhecimento circulava e onde as pessoas encontravam orientação para os diferentes aspectos da vida.
Hoje, em muitos contextos, essa realidade parece ter-se enfraquecido. Em várias comunidades, as mesquitas encontram-se despovoadas, especialmente quando se trata da presença juvenil. Falta, muitas vezes, uma programação consistente que estimule os jovens a frequentar esses espaços. Faltam actividades que dialoguem com a realidade que vivem, com os seus sonhos, dúvidas e desafios.
Outro ponto que merece reflexão é o conteúdo abordado nas sextas-feiras. Quantas vezes os temas tratados são realmente relevantes e atractivos para os jovens? Quantas vezes se fala de assuntos ligados ao empreendedorismo juvenil, à formação académica, ao mercado de trabalho, às dificuldades emocionais, aos desafios sociais ou até às questões psicológicas que muitos jovens enfrentam em silêncio?
Quantas mesquitas estão, de facto, preocupadas em criar espaços de diálogo aberto com a juventude? Quantas promovem debates, palestras, formações ou projectos que ajudem os jovens a desenvolver competências práticas para a vida?
A juventude de hoje vive num mundo cheio de estímulos, oportunidades e também de distracções. Se a mesquita não acompanhar essa realidade e a dinâmica, oferecendo conteúdos apropriados e programas que façam sentido na mente do jovem, torna-se natural que ele procure outros espaços onde se sinta ouvido, valorizado e envolvido.
Talvez, antes de perguntar por que os jovens não vão à mesquita, devamos perguntar: o que a mesquita está a fazer para que os jovens sintam vontade de lá estar?
Que ambiente estamos a criar? Que oportunidades estamos a oferecer? Que linguagem estamos a usar para comunicar com eles?
Reaproximar a juventude da mesquita e devolver o ambiente que outrora se viveu, não é apenas uma responsabilidade dos jovens, mas também das lideranças nas mesquitas, das instituições religiosas. É preciso resgatar o espírito original das mesquitas como centros de aprendizagem, orientação, de modo a desenvolver o capital humano que tanto precisamos para várias frentes para os actuais desafios.
Se as mesquitas voltarem a ser espaços vivos, onde se aprende, se dialoga, construe, se molda e se cresce, então a presença da juventude deixará de ser uma preocupação, mas sim, uma consequência natural.



0 Comentários