Todos nós lemos ou tentamos ler muitos livros, mas é necessário que conheçamos aquilo a que se chama “A arte de pensar”. Para que o processo de pensamento seja aplicado de forma correcta, é necessário em primeiro lugar, que a pessoa saiba qual a forma mais adequada de pensar, pois de contrário, decorridos muitos anos no exercício mental e na leitura, poderá apenas ficar na confusão, embora no seu íntimo julgue estar a exercer o acto de pensar. Esta é a mais importante condição para se chegar a uma conclusão correcta em qualquer assunto. Para tal, é necessário que a pessoa saiba que vive num Mundo que não foi criado por si, mas por Alguém que desenhou o seu mapa, e consoante a nossa crença, isto é, consoante a crença de um religioso, foi Deus Quem fez este Mundo. E Ele anunciou de forma bem clara, conforme consta no Qur’án, Cap. 17, Vers. 85, que: “A sabedoria e a ciência são um grande tesouro, do qual muito pouco foi dado ao Homem”. Depois de um longo período de experiências, a ciência moderna acaba reconhecendo este facto ao dizer: “A ciência dá-nos apenas um conhecimento parcial da realidade. Nós sabemos que apesar dos constantes esforços empreendidos ao longo de cinco mil anos, a filosofia não logrou nenhuma proeza, mas em contrapartida a ciência deu muitas coisas ao Mundo”. O único motivo dessa diferença reside no facto de que a filosofia não reconheceu a realidade segundo a qual o Homem só consegue alcançar parte da sabedoria, mas todos os desenvolvimentos materialísticos que a Era actual presencia, foram alcançados pelo Homem através da ciência. Portanto, quem quiser conduzir com sucesso o processo de pensamento até ao destino, deve-se esforçar por ser mais sapiente e menos filósofo isto é, o Homem deve tentar saber tudo o que for possível saber, em conformidade com o sistema da natureza. E tudo o que não lhe for possível saber devido às suas limitações, deve contentar-se e conformar-se com o conhecimento abreviado e superficial que tem das coisas. Devem-se ter sempre presentes os princípios da diferença dos dois aspectos da sabedoria, que podem salvar a pessoa da confusão, e que são um grande obstáculo para se chegar à conclusão correcta do pensamento. Quem conseguir saber da realidade da confusão e do pensamento correcto, então conseguirá alcançar aquilo que é o maior tesouro no actual mundo de sabedoria. Para se chegar a uma ideia correcta é também necessário que a pessoa saiba distinguir entre aparência e realidade, para de seguida estabelecer a sua ideia apenas depois de uma profunda análise. Para consubstanciar esta asserção, tomemos alguns exemplos. Algumas pessoas ignorantes, na tentativa de desvalorizar o mérito contido nos ensinamentos do Qur’án, dizem que este Livro foi revelado há 1.500 anos, numa era em que as pessoas eram atrasadas e levavam uma vida muito simples, e que actualmente o Mundo conhece grandes progressos, pelo que, para o Homem próspero de hoje, o Qur’án está ultrapassado. Isso não passa de conversa fútil e leviana, pois o progresso desta Era é todo técnico. E o Qur’án dirige-se ao pensamento humano e não ao progresso artístico, pois o nível do pensamento humano que então existia há milhares de anos, continua o mesmo nesta Era, daí que não haja diferença no aspecto mental entre o Homem do passado e o actual. Aliás o instinto humano é o mesmo, desde o primeiro Homem, passando pelo actual, e assim será até ao último Homem. O Qur’án é um Livro teórico, e dirige-se à natureza humana. E para se compreender a sua mensagem é imperioso que se seja intelectualmente competente e não tecnicamente competente. Portanto, não há diferença no nível intelectual da pessoa que viveu no século VII, com a que vive neste século XXI, pelo que os dois podem ser dirigidos do mesmo modo pelo Qur’án. Vejamos por exemplo o que diz um intelectual ocidental da Era Moderna, de nome William Ralph, algo que representa a superfície intelectual humana de um Homem educado da Era actual: “O Homem prudente é aquele que conhece os valores relativos das coisas”. A mesma coisa já havia sido dita há mais de 1.400 anos por Omar Al-Farouq, o segundo Khalifa e discípulo do Profeta Muhammad (S.A.W.): “O inteligente não é aquele que sabe diferenciar entre o bem e o mal, mas sim aquele que entre dois males sabe distinguir qual o mal menor”. Estes dois exemplos indicam-nos que no aspecto do padrão intelectual não há diferença entre o Homem de hoje e o do século VII. Portanto, o Qur’án que podia dirigir-se ao Homem do século VI, pode também, e da mesma maneira dirigir-se ao Homem de hoje. A chave para o pensamento correcto está no saber a diferença entre uma mente sã e uma mente baralhada. O Qur-án dá grande ênfase ao acto de pensar e meditar aliás, pensar e meditar constituem uma qualidade distinta de um crente, sendo através disso que se abrem as portas do conhecimento e percepção divinos. E é com isso que a fé do Homem aumenta, levando-o a atingir um alto grau de adoração designado “Eh’saan”. Toda a acção do Homem é resultado do seu pensamento, pois quanto mais profundo for, mais profundo será o seu resultado, e quanto menos profundo, menor será a sua acção. E o bom pensamento resulta na boa acção, enquanto os maus pensamentos resultam na má acção. Por isso, as capacidades intelectuais e de pensamento do Homem devem ser estimuladas cada vez mais. E cada canto da mente humana que está adormecido deve ser mexido e despertado. Pensemos neste Mundo e nas nossas vidas. Se viemos de um mundo oculto, não há nada de estranho em regressarmos para esse mundo oculto. Quem nos criou a partir de uma gota de sémen, tem poder para nos ressuscitar e recriar. O Homem pensa erradamente que a felicidade é apenas a deste Mundo, e que nunca acabará, mas, entretanto, estamos a ver que ela está a terminar, que ninguém é eterno, pois de contrário, os que vieram antes de nós, e que eram mais fortes, seriam eternos e não conheceriam o fim. Mas onde é que eles estão? Pensemos bem! Por: Sheikh Aminuddin Mohamad



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