Prosseguindo com o nosso tema, e após termos abordado a forma como o capitalismo encara os quatro problemas na economia (determinação de prioridades, alocação de recursos, distribuição da produção e desenvolvimento), dissemos que a solução preconizada pelo capitalismo para esses problemas baseava-se na lei da “procura e oferta”. Vejamos então em que perspectiva o socialismo encara os quatro problemas. Este sistema económico opõe-se à solução baseada nas leis do mercado. Defende que a lei da “procura e oferta” é surda e muda, discordando da teoria segundo a qual o Ser Humano deve apenas produzir o que tenha procura no mercado. Os defensores deste sistema argumentam que só se se apercebe que determinado produto tem ou não procura, passado muito tempo, pois por vezes a procura baixa e o produtor pensa que a procura ainda é grande, continuando a produzir, o que origina a existência de excedentes no mercado, com graves consequências para a economia. O capitalismo apresentou uma “varinha mágica”, e o socialismo por seu lado apresentou outra. O socialismo, defende uma única solução para os quatro problemas da economia: todos os meios de produção, ao invés de estarem nas mãos de privados, devem estar sob controlo colectivo através do Estado, cabendo a este a planificação de toda a economia, isto é, a determinação sobre em que área se deve cultivar milho, mandioca, feijão, algodão, arroz, etc., em quantas fábricas se deverá produzir roupas, enxadas, sapatos, etc., qual o volume de mão-de-obra necessária, e qual o fundo de salários a alocar. A determinação de prioridades, a alocação de recursos, a distribuição da produção, e o plano de desenvolvimento, portanto, todos os planos e metas, são elaborados pelo Estado, daí chamar-se ao sistema socialista de “economia centralizada”. Uma das características deste sistema era a chamada “distribuição equitativa da miséria, com meia dúzia de senhores absolutos”, pois muitos de nós ainda nos lembramos do famoso abastecimento em que cada cidadão deste país recebia como ração mensal apenas um quilo de arroz, meio-quilo de açúcar e meio-litro de óleo, mas para se comemorar um evento político gastavam-se rios de dinheiro em pantagruélicos banquetes. E no sistema económico capitalista todos os meios foram deixados ao critério da lei da oferta e procura no mercado, daí atribuir-se ao sistema o nome de “economia de mercado”. São esses os dois sistemas que vigoram no Mundo, tendo-o dividido em dois blocos, não apenas divergentes, mas de certa forma até antagónicos durante um certo período da história contemporânea. Feliz ou infelizmente o nosso País experimentou já os dois sistemas, e cada um de nós está em condições de fazer uma apreciação e dizer se foi um sucesso ou um fracasso e qual deles logrou trazer o bem-estar social para os moçambicanos. Os princípios básicos resultantes do sistema capitalista são a propriedade privada, a não intervenção do Estado e a busca de benefícios pessoais. Em contrapartida, os princípios básicos resultantes do socialismo são a eliminação da propriedade privada, a concentração dos meios de produção nas mãos do Estado i. é, as fábricas e as propriedades agrícolas não podem pertencer a privados, mas sim ao Estado, devendo toda a economia ser centralmente planificada. Hoje o Mundo já conhece bem o resultado dos dois sistemas, muito em particular o resultado do socialismo, que decorridos setenta anos se desmoronou a partir do próprio berço onde foi gerado, quando tempos houve em que as nacionalizações eram moda, e se alguém manifestasse discordância era logo rotulado de reaccionário, agente do capitalismo e imperialismo, etc. Mas hoje os russos, mentores do socialismo, estão arrependidos da via escolhida, e já procuram o caminho da Igreja. O socialismo falhou porque não era um sistema natural, pois no Mundo existem múltiplos problemas, que não são apenas os económicos. Se quisermos resolver todos os problemas através de planeamento, garantidamente que jamais o conseguiremos. Por exemplo, o casamento também é um problema económico na vida, pois para manter o lar um homem precisa de uma mulher que lhe seja compatível e vice-versa. Se alguém argumentar que por se ter entregue o sistema de casamentos às pessoas, estão surgindo muitos males, desde os frequentes casos de divórcio ao declínio de lares e divergências conjugais, etc., argumentando que para se tornar o sistema matrimonial, eficaz, favorecendo a estabilidade conjugal, o melhor seria que o Estado assumisse essa função, resolvendo através do planeamento quem se deve casar com quem, sem dúvidas que isso seria o caos por não ser natural, não se podendo por conseguinte esperar bons resultados. Terá sido isto que aconteceu com o socialismo, pois neste sistema tudo teve que obedecer ao planeamento, surgindo então a pergunta: Quem irá planear? Claro que será o Governo. E o que é o Governo? Não é um conjunto de anjos, mas sim um conjunto de Seres Humanos como os outros. Os defensores do socialismo argumentam que os capitalistas ao acumularem uma grande parte dos meios de obtenção da riqueza monopolizam a economia. Porém, eles não veêm que embora como consequência do socialismo muitos capitalistas tenham sido afastados da cena económica, surgiu um novo grupo de “capitalistas burocratas”, e agora todos os meios de produção e toda a economia passou para as suas mãos. Quem pode garantir que eles não praticarão a injustiça, já que não são anjos vindos do céu? Portanto, nesse sistema também surgirão muitos males, como já surgiram e todos viram. Por isso esse sistema morreu, e mesmo os seus defensores têm vergonha de falar sobre ele. A seguir ao colapso do socialismo na maior parte dos países que seguiam esta via de desenvolvimento económico, os países capitalistas convenceram-se que o colapso do socialismo provava que o sistema capitalista é que era bom, não havendo melhor no Mundo. O leitor certamente se recorda que na crónica anterior dissemos que o capitalismo se baseia nas “Leis do Mercado”, em que as pessoas são livres de comprar e vender, daí ganhando os lucros que quiserem. Teoricamente há nisso alguma lógica, mas o exagero na aplicação desse princípio está causando grandes males à sociedade, sendo por isso que mesmo em países desenvolvidos algumas vozes se levantam, revoltando-se contra os excessos deste sistema, e exemplos não faltam, pois se estivermos atentos, não raras vezes os jornais reportam manifestações de protesto um pouco por todo o mundo capitalista, obrigando governos a tomar medidas excepcionais de segurança. Estamos de acordo que quando se deixa que as pessoas procurem formas de livremente obterem lucros, automaticamente ocorre o fenómeno da procura e da oferta. Porém, a força deste fenómeno só funciona bem quando de facto há no mercado um ambiente de concorrência livre, i. é, sem monopólio. Por exemplo, se um cidadão pretender comprar um brinquedo, dirigir-se ao mercado e nele encontrar muitos vendedores de brinquedos com preços diferentes, logicamente que esse cidadão, em presença de dois ou três preços diferentes para um mesmo produto, optará pelo preço mais barato. Mas se houver um único vendedor de um brinquedo com determinadas características, ao comprador não resta nenhuma alternativa, pois o vendedor, porque no momento detém o monopólio desse produto, imporá o preço que quiser, e aí as regras da procura e da oferta já não funcionam. O monopólio resulta do facto de o Ser Humano ter sido deixado livre de ganhar o que quiser e como quiser, para além de que o sistema capitalista permite que quem quer que seja ganhe dinheiro através de juros, jogos de azar, e outros métodos considerados ilícitos no Isslam. …continua… Por: Sheikh Aminuddin Mohamad



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