E tudo o que uma pessoa fazia era apenas com o intuito  de satisfazer paixões e interesses pessoais. Porém, a dimensão deste termo é muito maior. “djahiliya”  significa tudo o que é feito para satisfazer paixões, observar tradições detestáveis e enfim, tudo o que  seja feito para se obter benefícios duvidosos e limitados.  

Agir sem nos basearmos na religião de Deus, nem nos ensinamentos e práticas do Profeta  (S.A.W.), ultrapassando todos os limites e tomando isso como regra, é uma forma de djahiliya. Por  exemplo, muitos muçulmanos adoptam práticas que não são isslâmicas, insistindo nelas de forma  recorrente, como se estivessem a cumprir com as regras do Sharia.  

E é neste sentido que o termo djahiliya é utilizado no Hadith (ensinamentos do Profeta). Por  exemplo, certa vez um dos companheiros do Profeta (S.A.W.) praticou algo que era contrário aos  ensinamentos isslâmicos, e o Profeta disse-lhe: “Tu és uma pessoa que incorpora características de  dahiliya”.  

Portanto, o djahiliya não se limita a uma época, pois até ao Dia da Ressurreição, tudo o que for  contrário aos ensinamentos contidos no Qur’án ou no Hadith, ou que não se prove que tenha sido  instituído no Qur’án, ou que a sua prática tenha sido observada pelo Profeta, é djahiliya, já que é feito  apenas para fazer alarde, satisfazer desejos pessoais para se adquirir fama.

E muitas vezes tais actos  escondem interesses, sejam eles pessoais, colectivos, familiares ou políticos, e os seus apologistas  argumentarem que tal é feito desde os tempos dos seus pais e avós (antepassados).  

 Quando pomos de lado o Qur’án – a Lei de Deus – e os ensinamentos do Profeta (S.A.W.),  desprezando-os e praticando no nosso dia-a-dia coisas que de Isslam nada têm, estamos praticando  djahiliya. Por exemplo, o casamento origina questões ligadas à herança, ao nascimento de crianças e a  outras tantas, sejam elas de tristeza ou de alegria.

Em tudo isso, se ninguém se importar com o que a  Lei de Deus determina, qual o modelo deixado pelo Profeta (S.A.W.), e acharmos que o critério a  adoptar é “seguirmos o que os nossos pais já faziam quando nascemos”, ou que devido ao estatuto  social que ocupamos, a fama e honra de que gozamos na sociedade se devem à forma como as pessoas  nos encaram, ficando mal promover um casamento sem grande pompa e esbanjamento, por receio de  que as pessoas nos tomem por avarentos, portanto incapazes de organizar uma festa de casamento  compatível com a classe social que ocupamos, estamos incorrendo no djahiliya.

É ao não  observarmos os ensinamentos contidos no Qur’án e no Hadith, que acabamos embarcando em práticas  contrárias ao Isslam, ao preferirmos outras práticas e tradições (coktails, copos de água, danças e  festivais musicais com muito álcool pelo meio), o que configura o djahiliya.  

 Argumenta-se quase sempre o facto de os antepassados terem festejado da mesma maneira,  com banquetes e muito esbanjamento pelo meio, para demonstrarem o seu poderio. Essa forma de  pensar também é djahiliya. Este termo é abrangente e não encontra equivalência noutras línguas.   O Sharia enfatiza a simplificação do casamento, tanto nos procedimentos preliminares como na  própria cerimónia, desencorajando todos os procedimentos extravagantes. 

 O dinheiro que deveria ser gasto em coisas benéficas é esbanjado em banquetes organizados  para a celebração de casamentos, transformando esta cerimónia num pesado fardo para os pobres,  muitos jovens em idade núbil não se casam, preferindo a prática do adultério, devido em grande  medida ao facto de a prática de banquetes se ter institucionalizado, transformando este tão simples  Sunnat numa cerimónia pesada.  

Os teólogos sempre dedicaram as suas vidas ao combate ao djahiliya, qualquer que fosse a  forma em que se apresentasse, para dele sairmos e nos envolvermos mais no Isslam.   Da mesma forma que nos preocupamos em dar um nome isslâmico aos nossos filhos, pois  qualquer pessoa ao ouvir um nome isslâmico deduz logo tratar-se de um muçulmano, devemos  também isslamizar as nossas acções.  

 Actualmente nota-se um grande esbanjamento por parte de muçulmanos na celebração de  casamentos. Gastam fortunas apenas para deles se falar muito, e mais grave ainda, é que cada um tenta  superar o outro na dimensão da festa.

Estão na moda os casamentos celebrados em hotéis de 5  Estrelas, onde os recém-casados passam a noite de núpcias. Só de cartões e convites, sejam eles  digitais ou impressos, são de super-luxo, gastando-se avultadas somas.  

 Quer parecer que muitos muçulmanos já se esqueceram que o casamento é um Sunnat e ibadat  (acto de adoração) instituídos pelo Sharia, e aquele que o pratica é recompensado, pelo que se deve por  isso tentar realizar as festas de casamento em conformidade com o Sharia, com o Sunnat do Profeta  Muhammad (S.A.W.), com a prática dos Sahabas, e longe de tudo o que o Sharia condena.  

 Da mesma forma é a herança, pois quer parecer que são muito poucos os felizardos que  distribuem as suas heranças de acordo com as recomendações do Qur’án, atribuindo a porção definida  por Deus a cada elemento elegível.  

 Igualmente, a tradição de “akika”, e de circuncisão varia de acordo com a vontade de cada um,  em função do seu estatuto social, região, etc. Muito poucos são os que procuram os teólogos para  destes saberem o que o Sharia recomenda.

Esta é também uma forma de djahiliya.   Devemos criar uma frente de combate ao djahiliya, pois em qualquer parte do Mundo existem  seguidores do Sunnat do Profeta Muhammad (S.A.W.) e seguidores de djahiliya, e estas duas correntes  continuarão em conflito até ao fim do Mundo.  

 Infelizmente há alguns muçulmanos que não obstante serem pontuais nas orações (Swalaat), no  Jejum, tendo até performado várias Peregrinações (Hajj), quando a alegria lhes entra pela casa dentro,  tornam-se libertinos deixando o Sharia de lado.

E se alguém se encher de coragem e lhes chamar à  atenção, não raras vezes ouve respostas desagradáveis e até ofensivas. Nós os muçulmanos, devemos  a todos os níveis cumprir com a nossa missão de chamar as pessoas para o bem, impedindo a prática  do mal, sabendo agir da melhor forma em ocasiões tanto de tristeza como de alegria, em conformidade  portanto, com o Sharia, defendendo o Qur’án e o Hadith, e tentando sempre eliminar os vestígios de  djahiliya na nossa sociedade.  

Sheikh Aminuddin Mohammad  para @espacoislamico