De acordo com a Mualimah Muna, o Du’a representa a expressão máxima de liberdade por permitir uma “audiência” directa com o Criador, sem as barreiras, demoras e burocracias das lideranças terrenas.

“Nós quando falamos com o Presidente, temos que marcar agenda. Mas com Allah, através do Du’a, nós não temos que fazer agenda nenhuma. Sentamos no nosso tapete de oração, fazemos a ablução, sentamos e falamos com ele”, sublinhou.

A Mualimah também apontou a súplica como o termómetro da fé, argumentando que recorrer ao desespero público ou a terceiros sinaliza fraqueza, ao passo que “quando fazes o teu Wudhu, sentas no teu tapete de oração e choras, pedes a Allah, significa que a tua fé está muito firme, porque estás a confiar no Criador e não estás a nos seres humanos”.

Reconhecendo o peso acumulado pelas mulheres na gestão familiar, a palestrante abordou o Du’a como um forte aliado psicológico e emocional para aliviar as pressões quotidianas.

“Muitas vezes nós carregamos a nossa casa, os nossos filhos, todos os assuntos das famílias nas nossas costas. E onde vamos descarregar esse estresse todo? Vamos descarregar também no nosso Du’a. O Du’a para nós é uma terapia, é conselho, também é colo”, descreveu.

Segundo a oradora, esse suporte espiritual reflecte-se na estabilidade do lar, pois “a mulher é ela quem ergue, quem cuida do lar com as mãos e sustenta com o Du’a”, sendo a chave para atrair bênção e tranquilidade, algo que classificou como “um luxo” nos dias de hoje.

Além disso, destacou o impacto geracional das preces maternas, afirmando que a mãe que roga pelos filhos, mesmo antes de nascerem, “está a plantar sementes de boa conduta para várias gerações”, beneficiando futuros netos e bisnetos.

A Muallimah desmistificou a barreira da língua ao assegurar que “nós podemos fazer o Du’a em qualquer língua, a que nós dominamos, pois Allah percebe todas elas”.

Para as fiéis que enfrentam o desânimo ou a sensação de que as suas preces não são ouvidas, a Mualimah explicou que a prece é respondida por Allah de três maneiras, dentre elas “primeiro, ele nos dá realmente o que nós pedimos, ou então, a partir daquele pedido, ele não nos dá aquilo que pedimos, mas afasta o mal de nós, ou então guarda a recompensa para o Akhira”.

A palestra encerrou com um voto partilhado para que a comunidade local seja composta por “mulheres de Du’a, mulheres que choram no mussuala, que pedem pelos seus filhos, que pedem pela Ummah”, cujas súplicas se convertam em motivo de felicidade terrena e na conquista do paraíso.